domingo, 1 de julho de 2018

O sótão que habita meu Relicário de Afetos!


Há muito tempo não tinha a oportunidade de voltar ao sótão da casa dos meus avós! Tantos anos depois, o cheiro é o mesmo, a luz que entra pelas janelas idem, mas, obviamente, há uma nostalgia e saudade de presenças que são preenchidas através das lembranças.

Pra mim era importante "mostrar" meu Relicário de Afetos à esse lugar. Voltar ao sótão com o livro pode ter sido apenas um ritual, mas me proporcionou "conversar"  com minha própria história, e entender o valor em manter esses afetos até hoje comigo!  Abaixo transcrevo alguns trechos de um capítulo que foi totalmente inspirado nesse lugar! 

 
Sinimbú, cidade de 10 mil habitantes, localizada do interior do Rio Grande do Sul. Na rua principal, antes da curva, em uma casa de esquina, habitam minhas mais preciosas memórias. Nela existe um sótão, cenário de meu onírico mundo. Adentrar naquele espaço de infinitas viagens era um ritual. ...
 Ao abrir a porta que dava acesso à escada, havia um pequeno e estreito quartinho e uma cama milimetricamente encaixada no vão debaixo da escada. Alguns degraus acima, chegávamos a uma ampla peça com duas janelas, sempre fechadas. O cheiro a mofo fazia daquele mundo um lugar ainda mais misterioso. 
A peça era parcialmente iluminada por um “bico de luz” - lâmpada presa a um longo fio. Aquele mundo povoado de memórias recebia os objetos desnecessários da casa: malas, berço, revistas, jornais amarelados, roupas, além de tudo o que restou da aposentada alfaiataria do meu avô.

 
 Hoje subo as escadas sem arrastar os pés. Os donos da casa se mudaram para o andar de cima, e é no sótão que me conecto com tudo que deixaram: o amor e as histórias de uma casa de avós com netos, barulho e bagunça. A maioria dos móveis e objetos não estão mais lá. Mas os ácaros ainda dividem espaço com aquele universo invisível que sempre vai povoar minhas melhores recordações.  
 
Seguidamente me flagro entre referências dessas lembranças e me pergunto: por que não misturar a tradicional estampa risca-de-giz aos moderninhos padrões têxteis? Por que não contrapor a sobriedade dos tons de cinza/azul/preto com a leveza das cores? Seria viável essa mistura de tempos e de estilos? (fiz essa manta contrapondo esse exato olhar, queria misturar as referências dos tecidos que meu avô usava em sua alfaiataria, com as estampas que utilizo em tempos atuais, por isso, ao visitar o sótão recentemente, fiz questão de levá-la para "apresentá-la" ao ambiente que me inspirou!). 
 
 


Quase quatro décadas depois senti vontade de saudar essas memórias à minha maneira, com mistura de tecidos e diferentes padrões. Quando isso acontece, como nos tempos de infância, me vejo subindo pé por pé na escada de madeira e desvendando ideias, sopradas por algumas saudades que me acompanham e norteiam.
 
Voltar ao sótão sempre me traz a sensação de um aconchegante abraço!
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