quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

ano novo, novos caminhos!

Preciso voltar um ano pra começar o post!  Era 17 de dezembro de 2015, e me sentia exausta, totalmente escassa de entusiasmo e energia. Saí tarde do estúdio, faríamos férias coletivas na próxima quinzena e tudo precisava ficar organizado. Ao chegar em casa, fui arrumar a mochila; na madrugada seguinte viajaria com a família para o deserto do Atacama, no Chile. As meninas e o marido tinham tudo organizado, eu sequer pesquisara no amigo google detalhes e dicas para uma viagem de aventura. Enquanto dobrava meia dúzia de peças (sim... não queria excessos!), prometi à mim mesma que não acabaria o ano de 2016 da mesma maneira - escassa de energia e totalmente sem tempo pra mim!

O "retiro familiar" seria o programa ideal para me encontrar com eles (e comigo mesma). Aquele era o limite; meu corpo e minha mente enviavam constantes sinais de que desacelerar era preciso. Foram 10 dias de muita estrada... e, entre longas caminhadas pelos locais mais áridos por onde já estive, buscava incessantemente respostas: afinal, qual é o meu propósito? O que me conecta a um público tão grande e carinhoso? A costura? Projetos criativos? Ações empreendedoras? O varejo de tecidos lindos? Eu mesma??? Ou seria tudo isso, junto e misturado?!

Pelas terras desérticas, entre a diversidade local e tantos detalhes, eu muito pensei, mas nada concluí; era momento de curtir o momento e as surpresas que lugares desconhecidos nos proporcionam. Em áridos cenários, as cores eram sempre presentes, desde a cruz envolta em lãs com pompons nas extremidades (comum nas casas de todos os vilarejos locais) aos balangandãs pomponzísticos pendurados nas orelhas da lhamas soltas pelos campos cor de palha. Sem falar na riqueza do artesanato feito pelos nativos. Quanta energia havia por lá!




Voltei para casa pronta para iniciar o 2016, que, desde cedo, se apresentou mais escasso do que terras por onde andei. Sem nenhuma outra folga ou saldo de férias (quem empreende me compreende!!!), estava de volta à casa rosa com aberturas azuis, cores que escolhi para o mundo lugastal. Não demorou para o ano novo mostrar mudanças (até eu, que adoro mudanças, assustada fiquei!). Enquanto opiniões políticas divergentes geravam as mais variadas agressões, o cenário avisava que o ano seria tenso... e intenso! Para quem tinha um negócio a gerir com recursos limitados, o momento era de total reavaliação; afinal, quais seriam as reais demandas? E assim transcorreu o ano, dia a dia com muito suor, cores e buscas criativas para driblar as dificuldades, que não foram poucas. 

Além de buscar o equilíbrio pessoal X profissional, seguia me questionando: o que me conecta à tantas pessoas de uma forma tão intensa? Entre o vai e vem de semanas difíceis, num país totalmente escasso de boas notícias, não deixar a peteca cair foi tarefa das mais árduas!  Precisei ajuda; muito mais do que entender a vulnerabilidade, era hora de administrar fantasmas, inseguranças e o medo de fracassar. Os meses se passavam  e eu seguia, literalmente, um dia após o outro na gestão do meu negócio;  observando o mercado, e buscando minhas respostas. Seria necessário ajustar tantos movimentos diversos da marca lugastal e optar por alguns - escolhas são sempre difíceis porém necessárias! E como disse o poeta Fernando Pessoa, "navegar é preciso, viver não é preciso".

Saldo positivo de 2016: o ano em que parei para me observar!!! Um ano de perdas e ganhos, no mais literal sentido das palavras;  chorei a partida de dois amigos queridos, e sorri (grata) para outros que se aproximaram.  Se o ano foi escasso de grana, foi abundante em conquistas e descobertas; e eu, aos 45` do segundo tempo do jogo (ou aos 45 anos de idade) me vi criança outra vez - procurando o que deixei pra trás na minha história e na essência do meu trabalho. Ao fim de longos 12 meses e diversos acontecimentos, finalizei 3 projetos importantes aos quais me dediquei no decorrer dessa estrada: lançamento de uma boneca linda,  da nova coleção de tecidos com assinatura lugastal, além da coleção de acessórios, batizada como "movimento espiral lugastal". Os três trabalhos foram frutos dos novos planos da marca, em total alusão aos relacionamentos e acontecimentos, sempre espirais!!! 

Antes que as luzes do ano se apagassem, minha amiga e ex sócia Martinha me surpreendeu com a notícia: seguirá carreira solo. Não terei mais a companhia da parceira do dia-a-dia; mas a decisão estava tomada e não me restou nada além de aceitar e entender que  a vida segue! (à ela sou grata, tivemos 5 anos de trabalho e mútuo respeito).

Mas o que farei na casa rosa de aberturas azuis?!?!?! o que de melhor e mais genuíno me cabe: conectar pessoas, inspirar e contribuir com o mercado artesanal na mais pura essência e identidade lugastal!!  E assim seguirei na estrada! (Aguarde 2017: a casa rosa dará o que falar! Em janeiro estará fechada, uma super/mega promoção de tecidos e produtos será apresentada na loja virtual e em breve contarei mais novidades).


À todos que acompanham meus movimentos circulares e inquietos, minha sincera e constante GRATIDÃO! Em cada ação lugastal há um misto de AMOR, PERSEVERANÇA e CARINHO, e à esse "trio" atribuo as energias que recebo (quem planta, colhe, não é verdade?!). Tenho a  certeza de que seria muito mais cômodo seguir em 2017 com as mesmas ações,  mas é preciso respeitar minha vida, minha família e minhas buscas, entre elas uma maior conexão entre eu - Luciana, a marca lugastal e todos vocês que aqui lêem minhas mais verdadeiras e transparentes palavras!!! Novos caminhos nos esperam!

Vale da Morte - deserto do Atacama - 
essa estrada me mostrou que novas curvas seriam importantes!



16 comentários:

Dani Bat disse...

sensacional!!!! Vamos mudar sempre! <3 conta comigo nessa nova jornada!

Alexandra Schmitz disse...

Suas palavras são tão verdadeiras, num texto ao mesmo tempo leve e cheio de emoções, que parece que estou ouvindo a sua voz. Parabéns por tudo Lu.Pela grande mulher e por ser inspiração p todos.Estarei aguardando as novidades e na torcida que vc ache suas respostas. Fique com Deus 🙏💙😊

Andrea Riserio disse...

Lu, como sempre seus posts são cheios de emoção. Mudanças são sempre bem vindas. Estou na torcida! Conte comigo, Sempre! Boas vibrações 😘😘❤

Anônimo disse...

Lu querida e inspiradora ..respeitamos seu tempo kronos e kairos. Saiba que muito vc contribui com aqueles que estão a sua volta e aqueles que estão muito longe...e essa contribuição preenche nossas Almas! Beijos no coração...Ana Cris

Monique Engelmann disse...

Amei ler esse texto! Me vi em alguns pontos... Desejo a você um 2017 cheio de surpresas boas!!! Beijão ��

Maria Andrea Aguiar disse...

Lu, parabéns por seres tão inspirado e obrigada por seres tão inspiradora! Sucesso sempre?

Patricia Barcelos disse...

Lu, acompanho de perto seu trabalho. Suas inspirações e mudanças. Suas postagens e palavras me inspiram para um novo dia a dia. Um novo ano e uma nova vida!!!! Um feliz 2017!!!!

Vy Potel Criatividade em Tecido disse...

Que engraçado Lu, tempos atrás (muito tempo) também estive no Chile, mas não no deserto do Atacama, mas na árida Domeiko, onde nem água encanada tinha. Muitos anos sem chuvas, adolescentes que nunca viram água cair do céu. Ao mesmo tempo, a Cordilheira dos Andes estava derretendo a neve e pudemos passar de carro. Senti essas mesmas sensaçãoes que vc disse, mas era muito mais nova e cheia de sonhos. Os anos passaram, cheguei aos 48 e percebi que os sonhos daquela moça continuam intactos. Ainda não conquistei a projeção que tanto sonho (esse é um dos sonhos), e sendo assim, meu silêncio interno me fez pensar em repaginar tudo e iniciar com ideias diferentes. Li muito esse ano que passou, senti a crise na pele, e enquanto ela ia passando eu retirava uma letra: "crise X CRIE" e vou tentar de novo. Tive problemas de toda sorte e infelizmente não tive uma Martinha, mas uma pessoinha que levou todas as minhas economias, ideias e ideais, com certeza pela minha carência em empreendedorismo. Isso atrapalha as decisões, pois ficamos com os dois pés atrás. Mas a vida continua. Se no meio daquele deserto eu tivesse a cabeça ue tenho hoje...ahh... pelo menos sairia mais jovem nas fotos! kkkk Tudo de bom Lu, tbém não sei responder o que te faz especial, a gente é ou não é e pronto! Nesse caso, deixo à você o direito de sentir! Beijo grande! Vy Potel

Vy Potel Criatividade em Tecido disse...

Que engraçado Lu, tempos atrás (muito tempo) também estive no Chile, mas não no deserto do Atacama, mas na árida Domeiko, onde nem água encanada tinha. Muitos anos sem chuvas, adolescentes que nunca viram água cair do céu. Ao mesmo tempo, a Cordilheira dos Andes estava derretendo a neve e pudemos passar de carro. Senti essas mesmas sensaçãoes que vc disse, mas era muito mais nova e cheia de sonhos. Os anos passaram, cheguei aos 48 e percebi que os sonhos daquela moça continuam intactos. Ainda não conquistei a projeção que tanto sonho (esse é um dos sonhos), e sendo assim, meu silêncio interno me fez pensar em repaginar tudo e iniciar com ideias diferentes. Li muito esse ano que passou, senti a crise na pele, e enquanto ela ia passando eu retirava uma letra: "crise X CRIE" e vou tentar de novo. Tive problemas de toda sorte e infelizmente não tive uma Martinha, mas uma pessoinha que levou todas as minhas economias, ideias e ideais, com certeza pela minha carência em empreendedorismo. Isso atrapalha as decisões, pois ficamos com os dois pés atrás. Mas a vida continua. Se no meio daquele deserto eu tivesse a cabeça ue tenho hoje...ahh... pelo menos sairia mais jovem nas fotos! kkkk Tudo de bom Lu, tbém não sei responder o que te faz especial, a gente é ou não é e pronto! Nesse caso, deixo à você o direito de sentir! Beijo grande! Vy Potel

byRaquel disse...

Texto cheio de emoção, coragem e honestidade. Desejo a voce muitas inspirações para que encontre as repostas necessárias para seguir em frente com perseverança este caminho que escolheste, tenho certeza que conseguirás.Aguardando as novidades!Um GRANDE abraço!!

Monica Ximenes disse...

Que linda msg de otimismo e perseverança, em 2016 tive o prazer de conhecer "sua casa cor de rosa" tudo muito lindo e com seu toque especial.pois vzc é uma ótima empreendedora.parabéns ��

Anônimo disse...

Lu, há tempos acompanho teu trabalho, com maior ou menor assiduidade, mas sempre com muita admiração; não somente pela beleza e graça do que crias mas pelas tuas peculiaridades. Esse danado do tempo a quem culpamos por nos afastar daquilo que nos faz sentir melhores. Também entrei nessa busca, me reencontrar, para decidir o melhor caminho. A ti desejo um ótimo Ano, felizes encontros, sorriso legítimo; enquanto isso, agradeço pelas palavras que são um incentivo, me dão segurança pra "pegar a estrada" e tomara que em alguma parada por aí, a gente finalmente se encontré...������
Ale Casagrande

Kathia Daise disse...

Bom vc já sabe sou tua fã. Vc tem esse dom de motivar e inspirar como ninguém! Coisa de artista! Tô super curiosa pra ouvir (ler) rsrsrs as próximas novidades. Vejo q como artista o q nos move em primeiro lugar é um chamado interno. Muito importante rever direções e ponderar para não nos perdermos de nós mesmos. Adoro seus posts. Vai com tudo ! Boa sorte! Sucesso!

Marion disse...

Amei ler o texto, sentir as emoções que consegues tão bem colocar em palavras... desejo que sejas feliz em tuas novas escolhas e fico feliz que a contribuição para uma vida mais criativa está garantida nesses novos planos! Bjo, Marion

Josy Petite disse...

O que mais me perguntei no ano de 2016 foi, qual meu propósito de vida? E eu imagino ser a pergunta que nos reavaliar tudo que fizemos até hoje, para nós mesmos e para o outro.
Mudar de um estado levemente confortável para se arriscar em algo que muito provavelmente não seja como nos sonhos. Me estagnou.

O medo que paralisa. Medo de errar, medo de fracassar. Mas a inercia é a pior sensação.

Um 2017 com muitos frutos.

Carmen disse...

Vi muitas de nós nesta estrada...seu questionamento é perfeito, foi um ano "pesaaado"!!!
Proponho seguir em frente, sacudindo a poeira e colorindo a paisagem como a cruz do post!!
Bjs!