quarta-feira, 17 de agosto de 2016

reflexões & despedida

Não lembro exatamente quando nos conhecemos, talvez no início do século; empatia imediata, sua companhia me fazia sentir mais livre. Na mudança familiar de 2003, lá estava meu parceiro de todas as horas, dando aquela força enquanto eu desvendava a planejada capital federal e sua diversidade cultural Na terra em que o sol brilha intensamente quase todo o ano, éramos companheiros fiéis; amigos de verdade, no maior estilo "na alegria e na tristeza, no sol e na chuva, na saúde e na doença".



Às vezes os ossos do ofício (digo, do trabalho) não nos permitiam andar juntos, mas às sextas-feiras a gente sempre se encontrava, causando no mínimo olhares curiosos. Lembro da gente conhecer a charmosa Pirenópolis, no interior de Goiás, algumas estradas na terra do tio Sam; e juntos voltamos aos pampas nas férias das crianças. Numa tarde de verão tórrido na capital americana rolou uma briga feia, do tipo “ficamos de mal”, e depois de uma pausa num parque público optamos por nos separar alguns dias, para o bem da nossa amizade.  Era um parceiro galanteador... me elogiava quando eu vestia jeans e casaco de lã, sorria quando me via com short ou vestido; mas adorava mesmo as sextas-feiras, também conhecidas como casual day.  Quando preterido, tinha lá suas crises de ciúmes - havia outros companheiros parecidos, porém nunca iguais a ele! Eis que um dia ele conheceu uma amiga querida, e inclusive se mudou para o apartamento da loira também gaúcha. Obviamente senti um pouco de ciúmes, como quase todos os nascidos no zodíaco de Áries... mas segurei no peito (talvez tenhamos nos separado uns 2 ou 3 anos). Eis que, depois de uns  8 anos de aventuras pelo cerrado,  chegou a hora e oportunidade de voltar pro sul, e no mais puro ato de amizade, ele se apresentou pra me acompanhar em mais uma difícil tarefa de mudar/adaptar/recomeçar numa cidade diferente (retornos sempre pedem paciência e amor).

Lembro do dia em que fomos desbravar terras alemãs, e juntando o pouco-quase-nada que cada um entendia da língua, conseguimos chegar aos destinos planejados. Parceiros e companheiros, como sempre – juntos pegamos trem (sem a certeza de que seguíamos no rumo certo), tomamos chopp, conhecemos as cores e estilo do patchwork europeu, e pisamos rapidamente na Holanda (com planos de voltar). Voltamos noutra oportunidade, novamente pra Alemanha, e a visita à Holanda foi, de novo, rápida. Novos planos futuros de amigos com mais tempo disponível na terra das bicicletas e dos tamancos coloridos.

Não demorou pra disputarmos a amizade com minha filha  mais velha, que adolesceu e também curtia aquela companhia querida, básica e divertida. Novamente senti ciúmes quando eles viajaram e eu não podia acompanhá-los..mas c'est la vieHá poucas semanas passearam pelo escaldante verão português, e a mim ele deve essa viagem, pois foi convidado aos 45’do segundo tempo! E no imediato retorno, ao nos olhamos com aquela conexão de quem já dividiu tantos momentos de alegria, saudade, nostalgia, descobertas e decidimos em puro consenso: era hora de se separar. Logo eu, que odeio despedidas, embora saiba que são necessárias para digerir as partidas. Mas dessa fez foi um "até breve" leve; cada um seguirá seu caminho, cada um levará nossas histórias!

o all star vermelho seguirá comigo na estrada, o de couro branco é amizade compartilhada com a filha mais velha...
(meu amigo de tantas horas foi deixado na frente de casa, e provavelmente levado para alegrar outro par de pés n.38...)



Em tempo: pra não rolar nenhum rancor, esclareço que, na nossa briga séria de Whashington, o que ele fez comigo foi sacanagem pura: num calor escaldante, me obrigou a seguir o dia de vestido de pimentinhas com um tênis esportivo comprado no comércio local - o safado fritou meus pés numa falta de amizade nunca vista! Foi muito triste... mas acabei perdoando!!!!

6 comentários:

Andrea Riserio disse...

Que linda reflexão Lu! Beijo

Lilian Castanho disse...

Compartilho dessa nostalgia!

Rose souza disse...

Lu querida. Compartilho da mesma paixão. Amo muito meus allstar. E sofro muito com as separações às vezes necessárias. Abraços.

lansucci disse...

Também já passei por separações desta natureza. E nem pude colocar outro no lugar...o modelo saiu de linha 😢

Juliany disse...

Sensacional Lu! Tuas palavras calam no coração!!!

LucianaBluz disse...

Amo All star. Mas minha relação com ele se tornou mesmo estreita no nascimento do meu filho: o seu "primeiro All Star". Pretinhos já foram 3, três tamanhos seguidos, devidamente guardados para serem emoldurados e se tornarem lembrança dessa infância q está passando mais rápido que o Bolt. A paixão da vez é o azul marinho de couro, são 4 anos de idade e muito estilo nos pés.