sábado, 2 de abril de 2016

Parabéns pra nós!

Nos tantos finais de tarde dos tempos de Cachoeira, em que sentava com a amiga Joice na esquina entre as ruas Sete e Major Ouriques pra ver os vai e vém dos carros e das pessoas, os planos futuros eram muitos - tantos que nem recordo da maioria (aos 15 anos a mente viaja sem carimbar passaporte e o céu é o limite);  mas não pensava que viveria numa cidade grande! Eis que, perto dos 18,  migrei para Pelotas, que, pra mim, já era bem extensa e exigia atenção!  Mas a vida, digo, a estrada dá voltas - qdo me sentia quase uma pelotense nata, mudei de mala, cuia e família pra capital federal, e aquela cidade grande no meio do cerrado não tardou a me acolher, mostrando que nela era possível o cultivo de bons hábitos do interior. Cidade gostosa de morar, Brasília era pequena, mesmo sendo grande. 

Era final de 2009 e, por escolhas/oportunidades/destino, decidimos voltar aos pampas. Foi tudo muito rápido; decisão do casal feita, lágrimas e incertezas, encaixotamos a casa e em dois meses chegávamos de mala, cuia, família, gato, cachorro e papagaio na capital dos gaúchos.

Porto Alegre nos recebeu, digamos... em plena TPM... fazia um calor desgraçadamente intenso! E logo vi que ess era, sim, uma cidade grande!!! - meu conhecimento de ir e vir se resumia ao raio de 400 mts de casa, e o GPS fixado por uma ventosa no vidro do carro era quase a salvação diária. Tinha de me acostumar com tamanho calor e umidade; com nomes de ruas, entender que não havia lógica nos endereços. Diferente de Brasília, adaptar-se ao trânsito de Porto Alegre foi meu maior obstáculo. Quando o sinal abria, caso meu amigo-de-todas-as-horas GPS não me avisasse qual direção seguir, eu era literalmente coberta de buzinas, gritos e gestos que é melhor nem comentar (pensava que, por ser fevereiro, os motoristas aqui eram  "esquentadinhos".  Baita engano!)

Poucas semanas depois, entendi que conheceria melhor as redondezas se andasse a pé, pegasse táxi e lotação, e  pouco tempo depois já me sentia quase uma porto alegrense - até me deslocava sem depender da muleta tecnológica  (e como não demorei pra ter a experiência do carro arrombado, o tal GPS logo se foi no "combo" do furto).

Saber que Porto Alegre comemoraria seus 238 anos no mesmo dia em que eu faria 39 nos tornou mais próximas! E, desde então, todo 26 de março essas duas gurias se abraçam para agradecer por mais um ano de vida!


Parabéns pra nós! Que venham nossos próximos!



  

2 comentários:

disse...

Texto ou declaração, não sei, mais é muito lindo. ;)

Lucia Caribe disse...

Adoro histórias de vida!!! Me encantam...