quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O dia em que a cidade parou!



Lembro de ouvir sobre a enchente de 1941 desde a adolescência... a maior de todas no Estado. Eis que, nos meus 44 anos, os gaúchos se deparam com uma situação tão grave quanto aquela. Depois de muita chuva no último feriado, ontem à noite virou dia; mesclas de clarões e trovões seguidos de raios rasgaram o céu: temporal dos feios se aproximava. Não demorou nada, em minutos o chuva forte se misturava às pedras de granizo. Cada um se protege como pode, mas era certo – a situação do Estado que já estava em plena enchente pioraria muito nessa madrugada de quarta-feira. Sem luz nos bairros da redondeza, nem telefone; nada; então vamos resolver as urgências como nos velhos tempos, à luz de velas.

O dia amanheceu – silencioso e cinzento. Nas ruas a cena era devastadora, árvores caídas sob os fios de luz, muita sujeira acumulada, calçadas sem pedestres, estabelecimentos comerciais às escuras. E assim as horas seguiram – grande maioria do comércio local fechou as portas, alguns fios de luz em chamas, pessoas que foram trabalhar voltavam mais cedo para casa. Ao meio dia a cidade parecia dia de domingo. Aí a gente se dá conta – a vida hoje é regida pela tecnologia. Houve algum problema? Pega o celular e pede socorro. Mas, se o celular não funcionar? Na minha casa, não temos telefone fixo há anos... Então pede ajuda virtual – em vão, sem conexão.

A cidade parou e minha tarde caseira transcorreu num silêncio total (nada mal, gosto de escutar o silêncio!). Um livro foi a alternativa pra passar as horas – mas não era uma tarde de domingo. No conforto do sofá, tomando um café quentinho (sim, o fogão funcionava!!), vestindo um pijama de flanela e aquela pantufa tudo-de-bom, olhava pela janela a tarde cinzenta e molhada; certeza de que  muitas famílias perderam tudo, casas por onde a água entrou por debaixo da porta e pelos buracos causados pelo granizo nos telhados; pessoas que estão sem teto, e precisam do nosso auxílio e afeto.

Então fica o pedido: cada um ajuda como pode, e nós podemos! Nesta sexta e sábado (16 e 17 de outubro), traga seus donativos no estúdio lugastal , vamos usar nossa rede de solidariedade pra amenizar essa situação catastrófica, e costurar o bem com famílias que precisam de nós. 

A Defesa Civil avisa que necessitam de produtos de limpeza, de higiene, fraldas (geriátricas e bebê), e alimentos não perecíveis (arroz, feijão, massa, leite). Roupas e agasalhos já foram doados desde o último final de semana.


p.s: depois de quase 24hs a luz voltou aqui em casa, assim como as conexões virtuais. A cidade vai se organizando, aos poucos. Amanhã reabriremos o estúdio lugastal em horário normal. 

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