sábado, 26 de abril de 2014

Costuras e sorrisos na capital federal!

Feliz demais! Voltar à Brasília é sempre motivo de sorrisos, não é segredo que eu AMO a terra e as pessoas queridas que sempre me esperam por lá!


PATCH ENCONTRO lugastal em Brasília, edição VI, 
durante a feira SCRAP& PATCH, em Brasília!!!


O PATCH ENCONTRO lugastal - edição Brasília,  tem apoio das empresas WR São Paulo, Singer, Círculo, Fernando Maluhy, Make Rita Paiva, Tuty Arte e Mimos.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

lembranças & arroz de leite

Nunca fui rainha da matemática,  tampouco da equipe de vôlei ou natação, ou da turma de violão. Ser rainha das piadas também passou longe dos meus atributos - achava lindo quando os colegas riam de piadas engraçadas, mas as minhas sempre foram infames. 

A vida é assim, nos apresenta oportunidades, situações, experiências, a à nós, somente à nós, cabe usá-las como melhor convir. Então, me esforçava pra ser rainha do português, mas, com pouco êxito, conquistei o carinho e simpatia da professora Zuleika. Lembro do dia em que, na sexta série, o assunto a ser abordado era o significado dos nomes, e a Zuzu, como carinhosamente chamávamos, abriu um livro empoeirado e tascou "vocês já pensaram que os nomes têm significados??? por exemplo, Luciana significa LUZ, luz que ilumina". Meio minuto de silêncio no recinto, e literalmente a casa caiu -  mais precisamente a SALA DE AULA caiu em cima de mim. Acho que os guris (na adolescência eles não perdoam nadinha...) riram de mim até terem dor de barriga. Não lembro exatamente, talvez minhas bochechas tenham oscilado entre as cores do arco íris; o fato é, muitos anos se passaram; a Zuzu já foi morar bem longe, e não poderá ler essas palavras, e à ela eu dedico esse texto e meu carinho por ter me ensinado a língua portuguesa e o significado do meu nome.


Num fim de tarde, na hora do chimarrão, meu pai comunicou que eu recebera um convite - a cidade escolheria a Rainha da Fenarroz ( Feira Nacional do Arroz, o evento mais importante de Cachoeira do Sul). Logo ele, que era (e é) avesso à qualquer espécie de supérfluos ou badalações... mas as meninas de certa faixa etária eram convidadas a participar, coisa de cidade pequena, comunidade unida, enfim. Meu pai sabia (e a mãe desconfiava) que a probabilidade de eu ser coroada a rainha do arroz era mínima (quase nula); em tempos em que as misses tinham cabelos longos e muito volumosos, a filha do casal, rebelde sem causa, usava os seus curtíssimos - entenda; curtíssimo significa mais curto do que os curto normal!!. Mas eu tinha um sorriso grande, que, à época, até tentava esconder com vergonha, era muito comprida e, embora usasse tênis 7 dias por semana, sabia me portar com segurança frente um par de sapatos altos. E naquele baile com o salão do Clube Rio Branco lotado entre amigos, parentes e conhecidos, lá me fui participar do concurso. Fui avisada em casa - deveria participar, sem grandes ambições, afinal, o mundo era das misses de cabelão. Numa rápida entrevista no meio do salão, quase me engasguei de tanta vergonha, a voz embasbacou e foi um desastre, nota ZERO... mas os jurados gostaram de mim; e resolveram me dar esse voto de confiança! Com cabelos muito curtos e sorriso grande, fui coroada Rainha do Arroz! No dia seguinte, na capa do jornal da cidade, a manchete dizia SALVE LUCIANA, RAINHA DA FENARROZ! Lembranças que o tempo não apaga! E nessa missão cumpri todos os compromissos, viagens, desafios - muitas vezes com vergonha de sorrir com todos os dentes. Coisas de guria de 17 anos. 

Muitos anos se passaram, e de quatro em quatro anos Cachoeira do Sul escolhe uma nova rainha. E é nessa época, na véspera de começar mais uma Fenarroz, as Rainhas de outrora recebem carinho, homenagens e direito à guardar seus vestidos no museu da cidade (siiiiiim, eu tenho roupas expostas em museu, e essa é a graça das minhas filhas desde pequeninhas!!!). Ah... às vezes também rola figuração na página do jornal, na coluna "há 25 anos".  #pronto, falei! 

Hoje eu sou a rainha do lar; talvez a rainha do Fred (que me espera ansiosamente na porta da casa pra dar um rolezinho todos os dias as 7 da manhã)...e a vida segue. Gosto disso - do tempo que não volta, das histórias pra contar, dos amigos que conquistamos pelo caminho! Ah... gosto também de arroz de leite, e sobre isso já falei AQUI!


domingo, 13 de abril de 2014

on the road

O dia começou na mais organizada normalidade. O vôo marcado pras 10h40, check list ok, material pra feira de patchwork despachado em tempo hábil (aleluia!!!!!), no stress! Ah, faltou tempo pro momento   mulherzinha, nada é perfeito - as unhas viajariam com a promessa de serem melhor cuidadas durante a semana de trabalho na capital paulistana. O vôo estava predestinado ao momento zen da semana - as atividades futuras seriam intensas e isso não era novidade. Vou relaxar, pensei desde que o galo cantou em casa, pouco antes das 7. O intervalo entre as 7 e as 9h30 seria como sempre: levando as gurias pro colégio, o Fred pro passeio, banho (com direito a lavar e secar cabelo) e alguns  mates; pronto, é hora de ir!

No aeroporto, checkin já feito, uma única tarefa: entregar a bagagem. Nada de filas, nada de imprevistos! Logo em casa avisei pro Mário, meu "taxista-apoio-de-todas-as-horas" - portão da Tam. E lá estava eu. Nunca olho o número do vôo, e sim o destino da trip - e sigo no esquema "apresenta identidade, cartão de embarque, entra no avião (pézinho direito amigo sempre na frente do esquerdo), senta na poltrona 3D (siiim, eu amo os números ímpares e adoro sentar ao corredor)"; é hora de pegar meu kit avião - óculos escuros, o boné surrado do NY Yankees, cachecol enrolado no pescoço (odeio sentir frio) e uma leitura pra me distrair. Normalmente a leitura no vôo é para casos de emergência - sou daquelas que durmo antes mesmo do piloto decolar com a tchurma. Mas nem tudo são flores, e mal tinha inspirado e expirado 3 x consecutivas vezes quando um rapaz avisando que a poltrona 3d seria dele. Eu amanhecera com Jesus no coração, e nada, nada tiraria minha tranquilidade de um início de semana promissor no quesito correria. Antes de propor que dividíssemos o assento 3D, calmamente chamei a comissária, qdo sou informada estar no vôo errado, deveria embarcar para Guarulhos e aquele vôo rumaria a Congonhas (#$@@*!*#@*^)

Nem deu tempo de pensar, quando dei por mim já estava devidamente sentada na poltrona 3D do avião certo, portão vizinho. Aí liga pro Marcelo - o "taxista-apoio-de-todas-as-horas-em-sp", avisa no maior ar blasê que "houve um engano"e combina a coleta da cidadã gaúcha logo ali, em Guarulhos. ops... meu momento zen já tinha afundado - não adiantaria entender como tinha comprado bilhetes para guarulhos, pra onde nunca vou, senão em viagens mais longas. Resposta rápida - sem direito à entendimentos - as passagens foram compradas por mim mesma, numa dessas madrugadas em que o trabalho não acaba mas os olhos parecem estar com conjuntivite. Errei - erro feio - erro besta, e ponto final! Ou talvez, buscando respostas no maior estilo "freud explica", estaria eu com abstinência de viajar pra longe? não, há menos de um mês curti 8 hs de espera no aeroporto de Guarulhos, aquele onde não se tem nada de interessante pra fazer, portanto, ainda não senti saudade.

Voltando ao vôo. Nessa tentativa de entendimento de qual loucura cometi, como é que fui parar numa aeronave diferente, como é que os comissários que checaram meu bilhete também concordaram com "meu"descuido; perdi aquela vontade louca de dormir antes do avião partir. Eis que na bolsa preta, junto com meu "kit sobrevivência", havia um presente que ganhara de uma amiga querida alguns dias antes, mais precisamente no dia em que meu olhar ficou 43. Ainda com cartão de birthday, dedicado à peregrina do patchwork, como a Ana me chama. Capa azul, e, num rápido folhear, ilustras bacanas. Viajei com a Mariana Kalil e o seu Vida Peregrina (nunca a  vi pessoalmente; mas somos amigas - batemos altos papos nas tarde de sábado na sua coluna da Zero dominical). Leitura gostosa, leve, divertida, falando dos vais e vêns da vida, exatamente como ela (a vida) é. A Mariana nem sabe, talvez nem saberá, mas suas linhas me divertiram naquela manhã de rotina alterada. Com ela fui pra SP, voltei, fui pra Espanha, voltei; com ela senti saudade, sem saber exatamente de quê. Recomeços, tentativas, erros e acertos. Mas tudo o que é bom acaba e, chegando em SP, guardei o livro na bolsa com a vontade de reencontrá-lo numa das noites antes de dormir; ledo engano - nas noites antes de dormir só me restou ânimo pro e escovar os dentes... ah,dava tempo pra acertar as regras da cama com meus amigos Sofia & Luigi, os goldens retrievers donos do apartamento onde me hospedei, e com quem dividi o quarto na curta temporada.


Passados 6 dias de muito trabalho, encontros, beijos e abraços (como me sinto querida quando estou no eventos em SP!) e muita saudade de casa, o que ainda me  motivava a mais um dia antes de voltar era o papo com Luigi & Sofia antes de dormir; em poucos segundos cada um caía pro lado em busca de horas de roncos sem fim. E chegou a hora de partir, digo, voltar. Iupi!!! Com o último dia planejado para reunião e buscas nada glamourosas na 25 de março e Brás, o almoço foi no táxi do Marcelo - um H20 gelado e um pacote de biscoito de leite - menu delícia quando se está com fome. Logo lá estava eu, sentada à bordo do avião certo, para o destino certo; o livro de capa azul aguardava pacientemente pra me acompanhar até a chegada aos pampas! Estaria eu sensível, ou algo do gênero? Não sei, e como já faz quase uma semana, também não vem ao caso - o fato é que da leitura leve e despretensiosa me escaparam sorrisos solitários e lágrimas - é bom ler  histórias de gente como a gente, com seus desequilíbrios, tropeços e aprendizados (como peregrina também sou, quem por aqui me acompanha entenderá  meus devaneios dessa noite!).

E na vida seguimos, com nossos ajustes, valores do que realmente nos importa, e todo o resto! Boa semana; e super obrigada, Ana, pelo presente!