domingo, 7 de dezembro de 2014

O advento de um Natal diferente

(foto Danibat)

Quando criança, logo no início de dezembro  minha mãe enfeitava a casa à espera do Natal. Numa pequena mesa de apoio, colocava uma espécie de guirlanda de louça, com pequenos galhos de pinheiro e 4 velas vermelhas - aquele era o sinal de que chegara o Advento, que pertence ao ciclo do Natal. Detalhe: as velas eram sempre as mesmas, pois a mãe nunca as ascendia (risos...).

Para os cristãos, a liturgia do Advento é o período da preparação, e a própria palavra advento que origina-se do verbo latino advenire,  quer dizer chegar. É tempo de espera d’Aquele que há de vir.

Mas, em tempos modernos, o que se pensar desse período pré natal? Nesse período tento desacelerar (sim, eu tento!);  não faço parte do time que corre freneticamente as 3 semanas de dezembro em busca do que não foi feito o ano inteiro. Gosto do ato de pensar, de sentir saudade. 

Meu Natal desse ano será diferente, ainda não sei como, mas será. Pela primeira vez não terei a família completa - uma das filhas viajou de intercâmbio e passará as festas há muitos e muitos quilômetros distantes. Diariamente tento me convencer com o pensamento "ah, mas a noite de Natal é uma noite como qualquer outra, o que importa são todas as demais noites do ano". Puro engano; é, sim, uma noite especial - é  nessa noite que eu penso naquele tempo em que a mãe enfeitava a casa com a guirlanda de louça, é quando lembro dos pinheiros (naturais) que minhas avós enfeitavam pra esperar o Papai Noel, é quando lembro da primeira árvore de natal que montei depois que as meninas nasceram; é na noite de natal que, em silêncio, agradeço as conquistas e presentes da vida.  Embora uma apaixonada declarada pela época de Natal, tenho fugido do tema nesta "edição 2014".  Nós, que somos 5, esse ano seremos 4 - faltará uma pessoa, e que falta ela me fará. Sorte dela, talvez... vai escapar de cantar comigo a música mais triste do mundo - Noite Feliz, que faz parte dos rituais natalinos da minha vida, desde que lembro de existir. Talvez isso explique o por quê assumi um ritmo intenso de trabalho numa época em que gosto de desacelerar.

Hoje, ao notar que já acabou o segundo domingo do advento, senti saudade daquela guirlanda de louça que a mãe punha sobre a mesa, e cujas velas nunca foram acesas. Saudade do passado que não volta, e do tempo em que minhas filhas esperavam (do meu lado) pelo Papai Noel! 

5 comentários:

disse...

Lembranças carregadas de emoção Lu, que me transportou para o meu passado, ai Saudade.
Uma boa semana pra você!

Nathalia disse...

Que post delicioso de se ler, Lu! Deu vontade de sair correndo do trabalho só para decorar a casinha... Beijoca!

Juni disse...

Oi Lu, seu post é emoção a flor da pele! Ah, os tempos que se vão... Que possamos aproveitar de melhor o que temos hoje, com toda intensidade de nossos corações para quando houver saudades, seja da forma como você relata no post, com boas e belas recordações.
Tenha um Feliz Tempo do Advento e um Natal maravilhoso, apesar de estares longe de sua filha, ela está dentro de seu coração!!! Isso é o que importa.
Beijos.

rosiarts disse...

Lu querida, que texto lindo, singelo, mas muito sincero. Também fico mais ou menos assim nesta época, só recordações dos tempos que se foram, mas ainda trazem alegrias.
Natal é uma noite muito importante, momentos de se passar em família e celebrando o mais especial dos nascimentos, o Nascimento do menino Jesus. O advento mais aguardado de toda humanidade.
Tenha um Feliz Natal e um prospero ano novo.
Bjus. Rose.

Retalhinho Chic disse...

Querida Lu, embora minhas "gurias" estejam por perto, tudo é diferente e não tenho certeza se gosto ou não de repensar o passado... De qualquer forma, te entendo e sinto um nó na garganta que vem e que vai, fico na expectativa do mês passar rápido e começar o raiar de 2015, daí parece que a dor fica menor... Um beijo grande querida, tudo de bom, fique bem e com Deus sempre. Estou certa que também vai apertar o nó na garganta da Laurinha! A gente se vê!! Vy Potel