sexta-feira, 21 de março de 2014

A capa da Donna!

Na primeira semana do ano recebi por email o convite de uma entrevista pra  Revista Donna, encarte super bacana veiculado nas edições dominicais da Zero Hora. Fiquei feliz (muito feliz,é claro!). Poucos dias depois, foi no "ex-sobrado" do estúdio lugastal que o papo aconteceu, a sessão de fotos e aquele café quentinho que as tardes de trabalho pedem com tanto gosto. Conversar com a Patrícia Lima - repórter que com tanta sensibilidade assinou a matéria, foi um presente - guria querida, simples, "do jeito da gente". Enquanto rolava a expectativa de saber que dia seria publicada nossa conversa, eis que chega mais uma surpresa (e que surpresa!!!!!) - a matéria fora escolhida pra capa da revista! Uau... segura coração! (já diz o ditado: "quem faz o bem, colhe o bem!!!") 

Nova etapa, dessa vez com a equipe de capa da Donna - e todos os detalhes que seriam produzidos pra composição do trabalho foram "alinhavados" - medidas exatas, cores específicas, elementos discutidos, escolhidos e... mãos à obra! Ao amanhecer do dia seguinte, lá estava na minha caixa postal  o esboço com detalhes da capa, o que facilitou muito a produção dos elementos - do nome da revista costurado com tecido em alto relevo, ao título da matéria bordado e outros detalhes predominantemente feitos à mão (capa de revista com lugastal tinha de ser craft, concordam?!?!?!). Em três dias, teríamos  um novo encontro, dessa vez no estúdio fotográfico da RBS. 

A equipe lugastal se desdobrou num  fim-de-semana totalmente craft, entre linhas, agulhas e divisões de tarefas - na segunda-feira tínhamos todo o material completo, e, já na terça, num dia em que os termômetros marcaram 42 graus na capital dos gaúchos, fui recebida pela equipe da Revista Donna e equipe de produção Hugo Beauty. Quando se abre uma revista, um jornal, ou se assiste uma matéria na tv, não se pode mensurar a precisão de detalhes... é incrível! Confesso que nesses anos de estrada já participei de vários editoriais de revista, porém com autora dos produtos fotografados - nos bastidores, muitas vezes sem aparecer. Nos tantos trabalhos fotográficos que já fiz (e não foram poucos), não havia identidade - era modelo, fotografada e paga para tal fim -  ou eu fazia o papel de dona da cozinha com o fogão e a geladeira mais lindos do mundo, ou a mãe do shopping - minhas participações não fugiam desses temas - num só ano fiz 3 campanhas de cozinha, logo eu, que  nem sei pilotar o fogão! 


Dessa vez era diferente, muito diferente!- ali estaria gravado um pedacinho da minha história, da minha trajetória; dos sinais perto dos olhos (também conhecidos como rugas) e com todos os gaúchos eu dividiria esse momento... a capa da Donna seria publicada em fevereiro, mas por motivos de edição, foi transferida para o final de março. E na semana de inauguração do novo Estúdio lugastal, ganho mais um presente (ou seria uma conquista??) - a capa sairia no próximo domingo! Nem deu tempo de tremer as pernas... e eu curti, muito, cada telefonema, cada mensagem, cada abraço e cada sorriso que recebi no decorrer da semana.

Meu parceiro de trabalho  e fiel produtor do canal lugastal no youtube, Eduardo Bichinho (leia-se produtora LAMINANOVA), acompanhou vários momentos dessa história, e com tamanho sentimento registrou o vídeo pra gente dividir com vcs! Assista AQUI

E pra todas as alunas,  leitoras e seguidoras das redes sociais lugastal, que  mandaram tantas energias gostosas e emails queridos, aqui está a matéria: MAIS DO QUE TRABALHO OU HOBBY, A TERAPIA ARTESANAL É UMA FORMA DE ALIVIAR O ESTRESSE E VIVER MELHOR


Quando ela deu o seu ponto inaugural? Como foi o primeiro alinhavo? Disso, a costureira Lu Gastal, 42 anos, nem lembra. Mas tem bem vivo na memória o período em que as agulhas e linhas a salvaram do tédio e da depressão pela primeira vez. Estava grávida da filha mais velha e, devido a complicações na gestação, precisou ficar seis meses em repouso absoluto. Sem poder sair da cama, o ponto cruz foi o companheiro das horas solitárias e ociosas. A velha técnica aprendida um pouco com as mulheres mais velhas da família e outro pouco com as revistas de artesanato foi, para Lu, o que muitos outros tipos de artesanato são para tantas mulheres e homens. Um respiro de alegria e vida, capaz de alegrar uma rotina cinzenta e melhorar um humor alquebrado pelo peso dos problemas cotidianos.
Foi em busca dessa inexplicável sensação de bem-estar e prazer que Lu partiu quando decidiu largar a advocacia para apostar em seu talento como artesã. Escolha difícil, mas que uma vez feita, só trouxe desafios e felicidades. É claro que nem todo mundo precisa - ou quer - abandonar a profissão atual para tornar-se artesão. Para beneficiar-se do poder restaurador do artesanato basta praticá-lo, seja como for. Esporadicamente, todos os dias, toda a semana, com lucro, só para presentear amigos, não importa. Basta praticar e contemplar o resultado. Aí está um apoio terapêutico vitorioso em casos que vão desde a depressão até os transtornos de humor. Criar com as próprias mãos pode mudar a vida.
Que o diga a personagem que ilustra a nossa capa. Natural de Cachoeira do Sul, Luciana Gastal gosta de estar entre linhas, agulhas e paninhos desde que se entende por gente. Ama cores, misturas, texturas. Mas tornar-se costureira em tempo integral, como profissão, foi um caminho longo e cheio de dúvidas. O Direito foi a primeira escolha profissional, feita quando ainda morava em Cachoeira. Depois de casada, viveu em Pelotas por nove anos, onde teve as filhas e praticou a advocacia em tempo integral. Mesmo com pouco tempo livre, a artesã que dormia dentro de Luciana acordava de vez em quando, especialmente nas festinhas de aniversário das filhas ou em outras comemorações familiares.
— Todo mundo ficava espantado, impressionado com a decoração caseira que eu fazia para as festinhas ou com os mimos que eu inventava para os almoços de domingo. Com essa onda de coisas industrializadas, o que é feito à mão surpreende — recorda.
De Pelotas a família partiu para Brasília. Sem advogar e atuando como assessora legislativa, Lu preenchia a solidão por estar longe da família com arte. Foi na Capital Federal que participou das primeiras feiras de artesanato. E foi onde criou coragem para pensar em uma vida inteiramente dedicada às costuras.
— Nunca tinha participado de feiras, não sabia como era. Fiz umas coisinhas de Natal e, no primeiro dia, vendi tudo. A surpresa foi tanta que me obrigou a pensar mais seriamente sobre isso — comenta.
Com a ajuda do Sebrae, Luciana aprendeu mais sobre empreendedorismo e sobre os desafios que enfrentaria se decidisse mesmo seguir o caminho de artesã. Junto com o medo e a ansiedade vinha sempre aquela sensação de conforto e confiança que invadia o corpo e a alma enquanto criava mais uma peça de patchwork - técnica de costura para fabricação de peças de pano.
Quando a família voltou para o Rio Grande do Sul, em 2010, o destino era Porto Alegre. "Ou tu empreendes agora e faz isso acontecer, ou nunca mais. Tens que decidir", disse o marido a uma Luciana esperançosa e apavorada. O incentivo do pai foi o pontapé que faltava para que se encerrasse a fase advogada - e começasse o período Lu Gastal, artesã.
De lá para cá, muito aconteceu na vida da Lu. Um programa sobre artesanato na TV Aparecida, emissora com grande audiência no interior de São Paulo, tornou-a muito conhecida pelas aulas relâmpago e pelas dicas fáceis e criativa para quem também gosta de artesanato. Um blog e o canal Lu Gastal no Youtube também espalharam pelo Brasil a novidade. Para reunir mais gente em torno da paixão pelo patchwork, Lu começou a organizar, pela internet, os PatchEncontros. Idealizou uma grande aula que misturasse técnicas de artesanato com empreendedorismo. Mas achou que não daria muito certo, afinal, quem iria querer participar? Em três anos já foram realizados 24 PatchEncontros, com a participação de mais de 1,5 mil alunas em várias cidades do país.
— Muitas vêm em busca de um novo rumo na vida, para tornarem-se empresárias, como eu. Mas muitas outras vêm somente por que querem aprender a fazer bonecas de pano e patchwork. E para fazer amizade, conhecer gente nova.
No ano passado, Lu Gastal foi eleita Artesã do Ano em uma feira de artesanato popular, em São Paulo. Também assina uma linha de tecidos e participa de feiras internacionais em países como Alemanha e França. O pequeno ateliê localizado na rua Eudoro Berlink, montado com móveis antigos da família e coberto de panos e linhas até o teto, ficou pequeno. Na última quinta-feira, 13, ela e sua equipe - sim, agora Lu trabalha com uma equipe de três funcionárias - inauguraram um espaço maior, na mesma rua, que promete acolher com mais conforto as mulheres que buscam a inspiração e a experiência de quem mudou de vida em nome do artesanato. Cursos, palestras e encontros serão mais frequentes, garantiu a anfitriã da casa nova.
— Se eu ainda fosse advogada, certamente teria mais dinheiro. Mas não seria tão feliz.
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A matéria contou, também a história de Lavínie Telmo e Mariluce Dias, além de outras informações muito bacanas sobre a arte terapia. Íntegra do texto está AQUI.

À produção da Revista Donna, equipe Hugo Beauty, Laminanova, equipe lugastal, e à todos os amigos leitores da Zero que levaram para suas casas nossas histórias de vida, meu super obrigada. Um abraço apertado à jornalista Patrícia Lima, que traduziu em palavras um tanto do que sinto, e à amiga-irmã-siamesa Gabriela, que, em meados de 1992, mandou duas fotos da estudante de direito Luciana Kaempf  pro concurso de modelos The look of the year, e também em etapas, me proporcionou participar das etapas estadual e nacional, viajar de avião pela primeira vez sozinha, ver que aquele mundo não me pertencia e voltar pra casa feliz da vida pra terminar de cursar minha faculdade e viver a vida como ela é (a Gabi acreditava que eu seria capa de revista, só não imaginava que isso aconteceria 22 anos depois)!!!


4 comentários:

Ale Rodrigues disse...

Lu Gastal!!! Impossível não ficar muito feliz com tudo isso!!! Você é um exemplo. Dedicada, talentosa, visionária por assim dizer!!! Sou fã, sou fã de Lu Gastal!!! Parabéns, sorte, sucesso na nova casa e na vida! Grande Bjo da Ale da Casa Guapa!!!

Kézya disse...

Oi Lu... que história linda e inspiradora! Vc podia tanto vir à Goiânia... seria muito bom conhecê-la pessoalmente! Parabéns e sucesso sempre!

Ana Tê disse...

Lu Gastal! Hoje está frio aqui em BH. Tem feito frio e estou doente e chorosa. A dengue fez um estrago no meu fígado, meu humor e convalescer estava tenso, até a hora que decidi voltar a ver uns blogs e sites que adorava sobre artesanato. E hoje, chorando muito, comecei a ver seu blog, buscando inspiração, vendo fotos lindas, histórias da vida como ela é (nas suas palavras), e me deparei com este post. Também fui advogada, mas por pouco tempo. Um belo dia vendi carro, larguei emprego, botei umas roupas numa malinha velha e fui embora pros EUA passar 15 dias. Cismei que queria ver neve. Fiquei 4 anos, fiz inimizades por conta dessa ruptura brusca e louca, mas fui viver minha vida, e isso só cabe a mim decidir se foi bom ou ruim (foi muito é bom!). Nunca gostei do drama envolvido na advocacia e ao voltar fui ser professora de inglês, me especializei pela UFMG em linguística aplicada e toquei a vida até a hora que resolvi fazer concurso e passei. Foi também muito bom, mas saí, fui advogar,,argh, meu pai adoeceu, faleceu e me meteram um pé na bunda. Isso faz 4 anos...um belo dia fiz uma prova de concurso da CEMIG, passei, mas achei que não seria chamada e quando estava de malas prontas pra me mudar pra Vila Velha, me convocaram. Que loucura! Foram 7 meses lá. 2 meses bons, e os outros 5 como viver um pesadelo sem fim. Não nasci para trabalhar 8 horas em um prédio com ar condicionado, sem ver a luz do dia, e sentindo frio.Fui feita pra trabalhar sem hora pra parar, mas com luz, sol, calor, e fazendo o que gosto, sendo feliz. Há um ano e pouco estou na luta para sair daqui e ir embora pra Vila Velha. Hoje estou com pouca grana, sem suporte financeiro ou emocional. Mas nesses dias de 'recesso' quietinha na minha cama, tem crescido em mim a certeza de que aqui não posso mais ficar, ainda que existam pontos conflitantes familiares que tem me feito refletir muito. Sou também professora de inglês (e quero voltar a dar aulas, porque é outra paixão!). E vc nem imagina como ler sobre a sua história foi inspirador! Mil vezes obrigada por dividí-la e assim inspirar uma estranha como eu! Um abraço e um café quente para começar bem o dia!

lugastal disse...

Obrigada meninas! Ana Tê, fico feliz em inspirar mulheres a batalharem suas buscas e conquistas. beijocas