quarta-feira, 27 de março de 2013

O livro que viaja & o amor


Sempre gostei de escrever. Quando criança, brincava de datilografar, embora ainda nem soubesse direito o alfabeto - a diversão era imaginária - meu pai tinha uma máquina portátil, mas era pra trabalhar, não pra gente brincar. Adolesci, fiz curso de datilografia (veja só...os tempos realmente mudaram!!!), com direito à uma placa de madeira em cima das teclas, para que a gente não "colasse" - a regra era memorizar, datilografar sem ler. Minha agenda do colégio e aquele diário-que-toda-adolescente-já-teve eram recheados de rabiscos e palavras quase indescritíveis; traduzindo, minha letra sempre foi feia. Na verdade, sempre gostei muito mais de escrever à máquina do que mão. Apenas preferências, ou referências.

A época universitária chegou, e meus trabalhos da faculdade nasciam de uma Olivetti emprestada, cinza e totalmente manual - o som das teclas se arrastava noite adentro, as vizinhas do apartamento deviam detestar  o barulhinho compassado (nunca perguntei, e como já faz tempo, a dúvida prescreveu!). As aulas da faculdade eram copiadas rapidamente, com aquela letra quase indecifrável, pra depois serem datilografadas. Cheguei a cursar aulas de taquigrafia, no intuito de escrever com mais rapidez... mas não persisti. Alguns trabalhos mais detalhados consumiam noites e noites a fio; contava pacientemente os retrocessos para formatar o texto harmoniosamente... e quando lá pela vigésima quinta frase surgia algum erro não havia outra saída senão amassar  a folha inteirinha (socorrrrrrro!)e recomeçar; tudo de novo. 

A velha, boa e emprestada máquina de datilografia era minha melhor amiga. Depois ganhei uma mais moderninha, eletrônica, dava para corrigir as palavras da linha (depois de apertar no ENTER, já era... não tinha volta), depois, já advogada, trabalhei com uma Olivetti grandona, elétrica, aquela era também muito bacana, teclas leves (um verdadeiro upgrade!!!!). Os resumos da faculdade, trabalhos do final de semestre e cartinhas de amor deram espaço para petições e peças jurídicas, até que por fim... lá em meados de 1996, tive meu primeiro computador - a essas alturas eu já datilografava na velocidade do pensamento, e, é claro, sem olhar as teclas. 

Por que escrevi tudo isso? Não faço a mínima ideia, acho que a nostalgia chegou ao ver essas fotos do LIVRO QUE VIAJA. Mas do que se trata esse livro? De nada... e de tudo- simples assim: não é segredo que viajo muito; e foi  justamente viajando, enquanto deliciava os olhos numa papelaria daquelas que não-se-sabe-pra-qual-lado-olhar-primeiro, que encontrei esse caderno, fofo, colorido, cada página com um desenho. Comprei, sem saber pra que; carreguei na bolsa por um tempo mas minha letra feia não me permitiu inaugurá-lo. Não demorou pra sua utilidade ser encontrada - o livro anda comigo, na bolsa, pra quem quiser escrever, deixar recado, mensagem, contato; é a tradução do amor que recebo. O livro que viaja é de vocês,e ameniza minha saudade de casa nas noites de hotel!


p.s: Claudio, se tu leres esse post, certamente lembrarás da carta que datilografei numa saudosa noite de sexta-feira, e enviei por fax no sábado bem cedo pra Campinas - no intuito de terminar nosso namoro em tempo "quase" real! kkkkkkkk... era preciso criatividade pra usar a tecnologia que tínhamos ao alcance!
p.s 2:  O namoro acabou naquele dia de 1994; o amor segue até hoje. Love you!

fotos Glau Macedo - Quitandoca

segunda-feira, 25 de março de 2013

O 2013 está só começando!

O março foi mês de pôr o pé na estrada;  há 3 semanas os sábados e domingos têm status de dia normal, e as segundas-feiras sequer chegam com ar de preguiça.  Levar o Patch Encontro lugastal para cidades tão diversas e distantes foi uma delícia, e esse domingo foi o dia em que parei pra descansar, com a maior sensação de missão cumprida. Talvez o corpo tenha avisado que era hora de pausar, e um resfriado me visitou sem dizer quando irá embora. De qq maneira, estava há milhares de quilômetros da minha casa, das minhas filhas, e assim como o corpo pediu sossego, o coração desobedeceu – há momentos em que a saudade bate forte e nenhum lugar pode ser melhor do que a casa da gente.

Era hora de voltar. Deixar Brasília sempre dói – ficam as lembranças de um tempo que não volta; ficam  os amigos, fica o marido que lá mora. Sensação ambígua essa - os sentimentos de querer ficar e querer voltar se misturam. Mas sabe aquela ressaca pós festa boa??? É isso que sinto hoje, encerrando esse ciclo de Patch Encontros em Pelotas/ São Paulo/Brasília.

Encontrei e reencontrei muita gente bacana – entre amigos e  alunas que trouxeram seus sorrisos e levaram pra casa suas criações lindas. Recebi abraços apertados e carinhosos, percebi olhares encantados que traduziam a satisfação de simples conquistas;  escutei as mais diversas histórias de vida, me senti especial, muito especial (há sentimentos que não se explicam com palavras, não é?!?!).








segunda-feira, 18 de março de 2013

Dia do Artesão


Hoje é dia de homenagear a todos que que batalham no dia-a-dia, num mercado tão acirrado, por vezes tão injusto e medíocre, por outras tão prazeroso e colorido; a todos que não desanimam, que caem, sacodem a poeira e seguem adiante; a todos que se fazem traduzir por suas manualidades, sem perder seu estilo, sem perder sua verdadeira natureza.  

Lembrei de quando, em dezembro, recebi o Prêmio Artesã do Ano, e comentei aqui no blog "Num país onde a atividade artesanal passa, lentamente, a ser reconhecida e respeitada como profissão, eu tenho muito orgulho em dizer que sim, eu sou artesã;  atualmente envolvida com inúmeras atividades paralelas, decorrentes do meu negócio artesanal, porém sem nunca perder a essência que norteia meus projetos - a valorização do trabalho manual em tecidos." - o post completo está AQUI.

Independente da profissão, sabemos que o resultado de nossas conquistas depende da energia e do amor que depositamos em cada projeto, portanto, faça o bem e colherás o bem!

Feliz 19 de março!!!! Hoje o dia é de todos nós!



segunda-feira, 11 de março de 2013

Agulhas e linha de novo nas mãos!


Meu programa perfeito de domingo é devorar os jornais e revistas -  a leitura é lenta e compassada, a pressa não faz parte do ritual. No final de semana em que levei o Patch Encontro lugastal para Pelotas, cidade que me acolheu ainda adolescente e onde vivi por muitos anos, fugi totalmente à rotina da leitura (o trabalho foi intenso e verdadeiramente delicioso; falarei sobre o evento aqui no blog) e só a noite parei pro meu "momento domingão de leitura", dessa vez super especial - o caderno Estilo do jornal Diário Popular publicou uma matéria (capa) com duas páginas inteirinhas dedicadas ao resgate das manualidades, mais precisamente, a volta da costura à vida das mulheres contemporâneas. 

Segue abaixo a matéria na íntegra, com participação de artesãs queridas que também  fazem bonito por lá!


"Nunca poderia ter imaginado que a sensação de ter de volta uma agulha nas mãos fosse tão gratificante... Era como estar de volta a casa.” Assim como a personagem Sira Quiroga, do livro O tempo entre costuras, muitas mulheres têm feito essa viagem ao passado e retomado as técnicas da costura. Criação da escritora María Dueñas, Sira, a costureira espanhola que vivia os tumultuados anos 30 e 40 na Europa do século 20, encontrou no desespero o impulso para voltar ao ofício, que naquela época, por diferentes motivos, também foi apartado de sua vida. Mas na contemporaneidade tem sido por outros caminhos que se as comunidades revisam essa arte e a devolvem ao cotidiano cada vez mais tecnizado e no qual parecia tão difícil o reencontro com o artesanal.
Conhecido mundialmente como movimento craft, palavra da língua inglesa que significa artesanato, a expressão traduz essa tendência de se implantar o artesanal no dia a dia, algo que saia da mesmice do industrializado, do impessoal. O craft, além de trazer a personalização para o consumidor, evoca o carinho e o amor com o fazer.
O movimento, que ganhou força no Brasil nos últimos dez anos, abriga profissionais de diferentes áreas, donas de casa, jovens estudantes, enfim, pessoas de formações distintas que têm em comum o culto à criatividade e às atividades manuais. Luciana Gastal é um exemplo desse perfil. Com formação acadêmica em Direito, pela Universidade Católica de Pelotas, Lu, como é mais conhecida, encontrou na produção artesanal em tecido, o patchwork, mais que uma paixão, uma forma de expressão, um veículo para formar novos círculos de amizade e uma fonte de renda.
Lu Gastal conta que começou a costurar sozinha, ainda menina, fazendo roupinhas de boneca ou “pensando que fazia”, como ela mesmo diz. Depois do nascimento da primeira filha, ganhou uma máquina de costura. “Queria fazer uma festa de aniversário com bonecas de pano... aí nasce toda a minha história”, diz.
Artesanato nas horas vagas
A partir dessa primeira experiência não parou mais, mas o trabalho no Direito era prioridade. Artesanato era em casa e nas horas vagas. “Sempre gostei de artesanato, bordei ponto cruz, pintei madeira, mas pensava que seria necessário focar numa só técnica, senão nunca conseguiria trabalhar com qualidade meus produtos.” E foi assim que escolheu o tecido e o patchwork para serem as suas marcas registradas.
Lu Gastal não sabe exatamente de onde veio o gosto pela costura. “Sou neta de alfaiate, talvez tenha herdado essa história.” Mas enquanto o avô era vivo ela nem costurava. “Hoje adoraria contar pra ele essa história, essa escolha.” Sem uma figura próxima para ensinar as primeiras lides, foi em busca de conhecimento por conta própria.
Hoje trabalha com o estúdio em Porto Alegre (que reúne um ateliê de costura e uma pequena loja). Vende produtos Lugastal para outras lojas, apresenta um programa semanal (Tudo artesanal) em rede nacional, apresentando tutoriais do tipo “faça você mesma” em costura criativa e assina colunas em blogs referência às artesãs brasileiras, a exemplo do Elo7 e o Minha Singer, da marca Singer do Brasil. Lu conta que empresas de diversos segmentos artesanais também apostam no crescimento do mercado, o que dá para medir a força do movimento. Seus eventos de costura, como o Patch Encontro, como o que está sendo realizado em Pelotas neste fim de semana, tem apoio de empresas como Singer, Círculo e Fernando Maluhy.
A artesã é um dos casos mais conhecidos de trabalho bem-sucedido nesse segmento. Inclusive sua marca teve o reconhecimento do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios no ano passado. Mas não foi de uma hora para outra que ocorreram as mudanças. Lu começou a preparar a virada na sua vida há seis anos, através de cursos de empreendedorismo, em Brasília onde morava com o marido e duas filhas. O maior passo ocorreu em 2010, com a mudança da família para Porto Alegre.
A vontade era grande, mas faltava coragem, confessa. Eram vários os medos e dúvidas. “As pessoas olhavam pra mim e surpresas perguntavam: ‘Tu és costureira?’. Num certo momento resolvi enfrentar, essa valorização do 'ser costureira', teria de partir de mim e não dos outros”, conta. Lu deixou a advocacia e em junho do mesmo ano inaugurou sua loja e ateliê. Atualmente trabalha com técnicas de costura criativa, um patchwork mais contemporâneo, que foge daquele conceito de costurar bloquinhos milimetricamente iguais.

Feltro como matéria-prima
A experiência de Lu Gastal tem inspirado muitas artesãs, entre elas Sandra Rochefort, 42, dona de casa, mãe de dois meninos, um de 20 e outro de cinco anos. Ao contrário de Lu, Sandra viu a avó e a mãe sempre costurando. “Cresci com aquele barulhinho da máquina”, brinca. As costureiras trabalhavam somente para a família, mas foi o suficiente para passarem o gosto desta lide para a pequena. “Quando era criança ganhei até uma máquina de costura, daquelas pequenas de brinquedo.”
Entretanto, a vida a levou por outros caminhos. Mas o gosto por trabalhos criativos não desapareceu. Há seis anos, pouco antes de ter o segundo filho, Sandra procurou um curso de patchwork, tinha máquina de costura e gostava de inventar moda em casa. As amigas adoraram as novidades que o curso lhe proporcionou fazer e em pouco tempo as encomendas se avolumaram. “Notei que as pessoas gostavam dessas coisas e comecei a pesquisar na internet”, diz. Foi aí que conheceu Lu Gastal entre outras crafters. “Para mim a Lu é um ícone do patch no Brasil”, elogia.
O contato com outras pessoas através da internet a fez conhecer diferentes técnicas e ela se apaixonou pelo trabalho em feltro. Hoje, Sandra desenvolve, com a sua marca Feltrix, enfeites que reproduzem perfeitamente personagens infantis, por exemplo. A técnica é o overlap in felt ou seja a sobreposição de feltros.
Agora sua meta é cada vez mais casar o feltro com o tecido e expandir suas criações. A partir da parceria com a empresária e crafter Velcy Raab, tem ministrado cursos na loja e ateliê Retalhos e Arte. 
Velcy é outro caso de amor aos tecidos. A empresária, depois da aposentadoria, passou a se dedicar ao patchwork e viu nessa área um filão pouco explorado em Pelotas: as lojas de tecidos e outros materiais específicos para o segmento. Elas lembram, que há pouco mais de cinco anos eram escassos os produtos em Pelotas, tinham de comprar em Porto Alegre. O desenvolvimento desta área do comércio na cidade é prova de que o movimento craft chegou com tudo no Brasil. 

Caderninhos com tecidos
Em seu ateliê no Centro Comercial Zona Norte, eles estão por todo lado. Enroladinhos, dobrados ou em uso, sobre móveis, dentro de caixas ou em exposição. Apesar de não serem o centro do atual trabalho artesanal de Ceres Torres, 67, os tecidos ainda reinam no seu cotidiano.
Funcionária pública federal, Ceres começou fazendo um curso de encadernação para restauro, há 12 anos, pouco tempo depois da aposentadoria. Mas o trabalho em artesanato só tomou volume há seis anos, quando se mudou para o Laranjal, onde pôde construir um ateliê.
Nesse período passou a fazer encadernações, mas não em restauro. Os caderninhos eram expostos através do Flickr, uma página na web para depósito de imagens. E foi por meio dessa ferramenta que ela conheceu Lu Gastal. “Depois fui até Brasília e encontrei com ela por lá”, conta.
O contato com a fã do patchwork a entusiasmou para o trabalho com costura, mas o seu foco era mesmo a encadernação. “As minhas amigas do Flickr foram alterando os trabalhos e umas não costuravam e passaram a costurar.” Nessa onda surgiram as aulas virtuais nos sites Elo 7 e Tanlup, que muito ajudaram a Ceres. “Eles dão toda uma assessoria para o pessoal, tem página que ensina como se faz o negócio”, fala. E é também na web que ela abastece o ateliê.
A artesã também percebeu o crescimento no setor do patchwork e todos os derivados. “Aumentou barbaramente, é impressionante. Em Pelotas não se encontrava tecidos para isso”, diz ao lembrar que a loja e ateliê Pesponto foi a pioneira na cidade.
Hoje Ceres não utiliza mais o Flickr para expor seus caderninhos, a ferramenta do momento é o site de relacionamentos Facebook. De qualquer forma a internet continua sendo muito importante para o desenvolvimento e distribuição do seu trabalho. “Ela (a Lu Gastal) buscou linha mais empresarial que a maioria não tem. A maioria trabalha mais em casa, um trabalho alternativo. As pessoas vão fazendo coisas que sejam da sua habilidade e que possam transformar em ingresso de dinheiro para a família.”
Para Ceres o segredo do sucesso é fazer “muito bem-feito”. “O acabamento também tem que ser muito bom, a peça única. Uma das coisas que a artesã notou ao longo dos anos é que quando a produção aumenta o número de detalhes do trabalho diminui. Isto porque, normalmente, essas pessoas trabalham sozinhas. E o excesso de miudezas retarda as entregas.
Ceres prima pela qualidade de seus produtos e não quer que a pressa imponha restrições ao trabalho. Atualmente, através da sua marca, Bicho Papel, desenvolve linha de caderninhos com capas enfeitadas com tecidos, um elo entre as duas paixões. O diferencial é que esses detalhes são costurados à máquina. Mais um exemplo da união entre o antigo patchwork e os novos rumos da costura
."
por Ana Claudia Dias - Diário Popular


sexta-feira, 1 de março de 2013

terapia das cores!

Depois de uma semana de turmas lotadas nas oficinas, mais precisamente no finalzinho da aula dessa sexta-feira, enquanto as alunas se preparavam pra ir embora, uma delas (gaúcha por acaso, baiana de coração) pára, e com aquele ar de quero falar algo , falou:  "quero comunicar que parei a terapia e, a partir de agora, meu momento relax será aqui"! Silêncio, olhares... e um sorriso sincero me escapou!

Delícia é saber que as pessoas se sentem bem no espaço idealizado exatamente pra isso; saber que ali se sentem felizes, desligam dos problemas e das tensões do dia-a-dia, sentem  o carinho que as espera a cada dia que aqui entram.  Delícia é sentir que as cores do espaço traduzem esse bem-estar! Delícia é saber que nossas clientes e alunas se sentem "em casa". Nesse contexto, estamos rodeadas pelas cores, que influenciam nossas escolha, nos auxiliam a expressar nossa criatividade, nos tranquilizam, nos energizam - direta e indiretamente, interferem em nossas emoções. 



Esse é o mundo lugastal - entre e sinta-se bem por aqui!