quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

E viva o perdão!!!


Desde que voltei aos pampas, numa época em que meu leque de relacionamentos porto alegrenses não excedia uma mão cheia, peguei o hábito de escutar a rádio gaúcha logo cedo, no trânsito de volta da escola. Assim fui apresentada ao Fabrício Carpinejar, que ainda não conheço pessoalmente, e confesso que o cara me despertou um sentimento altamente ambíguo – quase dois anos depois, eu não sabia se adorava ou detestava suas crônicas e comentários, e esse  “não saber o que sinto” me incomodava  – não gosto de gostar mais ou menos, ou adoro, ou não gosto – nada de meio termo.  Acompanhava suas falas e textos, sempre voltados para o amor e suas reais e cotidianas consequências, sempre com aquela sensação de descobrir meu real sentimento em relação a.  De risada engraçada; a sinceridade e transparência dos seus comentários me soavam tão reais e ao mesmo tempo me pareciam simplórias, até eu me dar conta que sim, eu adoro ler e ouvir o Fabrício!

Meu excelentíssimo e querido marido que me entenda -  isso não é nenhuma declaração de amor ao careca de óculos gigante, e ele (o marido) que me acompanha há tantos anos sabe que não tenho vergonha em admitir e prestigiar o que gosto e  admiro. E foi há pouco tempo que descobri o quanto, sim, eu gosto dos textos  e até chego a rir sozinha quando o escuto o cara  rindo de alguns comentários aparentemente infames, porém altamente reais! E eu, que adoro uma DR, resolvi assumir minha admiração por seu trabalho!

Mas ontem, mais especificamente, sua crônica da ZH me deixou altamente reflexiva - um pedido de perdão público, a seus dois irmãos, com quem rompeu relacionamentos. A história dele não vem ao caso, quem quiser saber/interpretar que leia a coluna da página 2 da zero (ou aqui), o que me tocou profundamente foi a sinceridade e, sobretudo, a humildade em pedir perdão, sem sequer discutir quem tem ou não tem razão, pelo simples fato de que as lacunas realmente nos incomodam. Talvez muitas outras pessoas que o leram pelas cidades gaúchas afora tenham pensado o mesmo que eu - tem coisa mais chata e incômoda do que a gente “estar de mal”com quem gosta, ou com que se admira, ou até mesmo com quem faz parte da nossa rotina? Eu sei, eu sei... família a gente ganha, amigos a gente escolhe, mas a vida não é tão redondinha a ponto da gente só se relacionar com quem realmente queremos, pelo contrário – aí entra a arte do drible, do jogo de cintura, ou por quê não dizer, da tolerância nossa e alheia.

Quantas vezes, no ímpeto de um acontecimento (ou vários), a gente jura que tem razão, segue acreditando nisso com todas as forças e vai alimentando um rancor dia-a-dia, sem se dar conta de que o sentimento só incomoda, detona a nós mesmos. Aí tem gente que adora correr pras redes sociais (que eu costumo afirmar, é vista por muitos com poderes terapêuticos -  as pessoas jogam  lá todos os seus rancores, esperando o apoio incondicional dos seusamigos”do peito- muitas vezes de uma semana ou, no máximo, de um mês), têm também as pessoas que curtem se apresentar como queridos, perfeitos, bacanérrimos e tudo-de-bom o tempo todo!!! - ledo engano, a vida é cíclica, a gente oscila entre o prazer e a dor, a alegria e a tristeza, desejos, buscas e frustações, a gente erra, a gente acerta, perdoa e pede perdão... quem disser que sua vida é cor de rosa o tempo todo é um baita mentiroso!

Mas não quero perder o fio da linha, ou pelo menos o motivo pelo qual escrevo esse post – por que não aproveitar que estamos em final de ano pra refletir um pouquinho (ou bastante, se for o caso) sobre esse magoar, esse pisotear o vizinho sem medir as consequências. Que tal olhar para nossos pés, e tentar entender qual o caminho que quemos seguir? Que tal parar um tempo, uma  horinha apenas, uma tarde se tu fores muito ocupado, e fazer um mea culpa – vale respirar fundo e fazer uma auto análise, só não rola achar que  é o rei da cocada e seguir com o nariz empinado patrolando tudo e todos que passam pela tua frente! Humildade, minha gente, faz bem pra saúde - e alivia o coração! Que coisa bem boa abraçar alguém e dizer “eu gosto de ti, desculpa aí por qualquer coisa, tu me faz falta”e por aí segue a lista... e viva o perdão!

p.s: um abraço ao Fabrício que não conheço e que me proporcionou essa reflexão. Demorei pra descobrir que sou sua fã!


7 comentários:

Genisa Couto disse...

Lu, que texto lindo! Quando terminei de ler tive vontade de te dar um abraço e dizer "Obrigado!". Gosto do seu jeito sonhadora e pé no chão. Esse texto deve circular mundo afora para percebermos que realmente nossa vida é muito maior que nosso universo particular. Bjs

JOANA CAMPOS disse...

KKKK muito bom seu texto....
EU gosto dele, e as vezes o lia no blog da globo... mas faz tempo que não vou lá... mas acho ele bem legal mesmo...e sincero.

Beijos

Ana Rubia disse...

Viva o perdão!7 x 70...

Sílvia Rosa disse...

Lu, você sempre sábia...
Eu gosto do Fabrício também, e concordo com cada palavra sua. Aliás, penso que você também mereceuma coluna na ZH.
Bora fazer as minhas reflexões...
Grande beijo e lindo dia prá você.

Studio Cultural Cristina Bottallo disse...

Lu, concordo 1.000% com você! Também li esse artigo do Fabrício e pensei a mesma coisa!!! E que família não tem esses desencontros, não é mesmo?
Ótima reflexão, e que se aplica a outras rodas também, amigos, colegas, vizinhos...
Que medo de me achar sempre certa! Deus me livre! Humildade é fundamental!
Beijos, LU!

Ah, e adorei a foto do post! :)

Lilás - Mania de Tecido da Naná disse...

E que tal contar até 1.234? Até o último algarismo já deu tempo de refletir e muito!!!!

bjs

Suzane Santos disse...

Após ler,refleti em alguns dos acontecimentos e suas consequências dos dois últimos anos...Meu arrependimento não vai apagar tristes atitudes e suas consequências, mas vai nortear meu futuro...Bjs