domingo, 14 de outubro de 2012

Mulheres que se reinventam

A matéria da jornalista Priscila Pasko está nas páginas 8 e 9 da revista VOTO - política e negócios. Versa sobre o craft - designação do artesanato "moderninho"  e envolto com qualidade junto ao produto final. Quem acompanha meu trabalho sabe que minha busca por reinvenções é constante, e dividir a matéria com a também blogueira Graziella Moretto, uma das queridas Garotas Prendadas, é uma super alegria! 

Seguem, abaixo, alguns trechos. A revista está nas bancas e em formato digital.



"O craft é uma expressão que engloba o que é feito a mão. Um conceito mais moderno, de peças criadas com a preocupação de design, de divulgação e de detalhes, explica a artesã Luciana Gastal, que há quase 10 anos deixou a advocacia para trabalhar com o artesanato.

Desde 2009 ela passou a se dedicar em tempo integral à marca lugastal, que agrega segmentos como a loja física, em Porto Alegre, um espaço virtual, uma confraria de "costureiras moderninhas", linha de produtos, desenvolvimento e criação de uma coleção de tecidos, além do evento Patch Encontro, uma espécie de "grande aula" sobre patchwork que é realizada mensalmente em diferentes capitais brasileiras. 

Em tempos em que a atenção é disputada e exigida a todo momento, o artesanato surge como uma atividade mais reflexiva. "As pessoas estão muito carentes, precisam conversar, porém as conversas se traduzem em palavras tecladas, sem entonação, sem sorrisos, sem olho no olho", argumenta Luciana Gastal. "Penso que esse resgate às práticas manuais será uma excelente saída para essa imersão, de maneira a unir e reunir pessoas ao redor de um crochê, por exemplo, ou de uma atividade de tricô, pintura ou costura. O que importa é a interação", defende ela. 

A atriz e colunista do blog Garotas Prendadas, Graziella Moretto, também compartilha da mesma opinião. Ela afirma que, após sem envolvimento com o artesanato (aprendeu a fazer crochê aos 6 anos de idade), passa menos tempo em frente ao computador - exceto para pesquisas sobre o craft, além de ter se tornado menos ansiosa. "O craft fez uma revolução na minha vida. Eu realmente passei a apreciar apenas as coisas que realmente importam, e não gasto meu tempo com inutilidades", relata a paulista de 40 anos.

Muito se fala, também, nos benefícios provocados pelo artesanato, uma tarefa considerada quase terapêutica. No entanto, a professora-adjunta do curso de Terapia Ocupacional da UnB Andrea Gallassi ressalta que fazer artesanato não designa o método em si. "A Terapia Ocupacional é uma profissão da área da saúde que faz uso de atividades em geral como recurso terapêutico, seja na promoção e tratamento de saúde ou na prevenção de agravos", explica a professora. O artesanato, portanto, é mais um dos diversos recursos terapêuticos utilizados em um setting de terapia ocupacional.

Ainda assim, Andrea destaca que a intervenção em terapia ocupacional pode ser um facilitador e disparador de determinados processos, e deve, necessariamente, fazer sentido  para quem a realiza. "A busca por uma melhor compreensão e o entendimento dos processos que ocorrem na vida da gente são tarefas que devemos desempenhar para que sejamos sempre pessoas melhores para nós mesmos e para se relacionar com as pessoas".

2 comentários:

Ana Paula disse...

Excelente post, Lu! Eu, como psicopedagoga acredito que o artesanato (sob todas as suas formas) como meio de serve como uma terapia - individual ou em conjunto - um meio de "desopilar" de um dia a dia estressante...eu mesma uso esse recurso! Quando estou na aula de Patch, eu nem sinto a hora passar, é um momento que conversamos, rimos, choramos, fofocamos...enfim...uma "higiene mental" gostosa e necessária para que continuemos o nosso trajeto! Um abraço!

Lina Gatolina disse...

Acho que tem muitas mulheres descobrindo que dá sim para trabalhar com o que realmente amam!!! E aí, nem parece trabalho, de tão gostoso que é...
O "feito à mão" está finalmente sendo mais e mais valorizado.
Quanto à confusão entre artesanato e terapia, ainda vai um bom tempo pras pessoas entenderem que não é bem assim...
bjs
denise (ribeirão preto), aquela dos óculos que vc amou.