Sempre que possível curto passear por blogs que divulgam imagens alheias; acho super prático encontrar num só post o que há de melhor em imagens de determinados temas, postadas originalmente pelos quatro cantos do mundo. Eventualmente utilizo fotos de outros blogs, mais precisamente as uso quando quero divulgar algo interessante que vi, ou li; sempre que possível carrego a câmera e fotografo detalhes que me pareçam interessantes, para dividir aqui, em data futura e incerta. Por vezes, guardo fotos por muito tempo, e gosto de tê-las "na manga". Tenho as fotos desse post há alguns meses, e quando vi essas imagens, tive este exato pensamento: escrever sobre projetos!
Está na wikipédia:
projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo.
De um despretencioso passeio num shopping à uma simples passadinha nos corredores de um supermercado (que aqui no sul chamamos de super!!!!), há detalhes que certamente foram pensados e preparados por alguém. Podem até passar despercebidos por muitos de nós, mas tenho a certeza de que em cada item, vitrine, prateleira, exposição, etc, há um projeto inicial, talvez um plano de negócios. Como noutras situações corriqueiras de nossas vidas, como um curso universitário, casamento, nascimento de um filho; mesmo que a gente não perceba claramente, há sempre uma ação, um "esforço temporário".
Pensei nisso quando, recentemente, me deparei com um carrossel - sem dúvida alguma, o mais belo que meus olhos tiveram o privilégio de ver. Naquele exato momento, lembrei das tardes no parque Tupy, quando esporadicamente passava por Cachoeira do Sul; no Nicolândia - Parque da Cidade, em Brasília, que eu costumava frequentar com minhas filhas. Lembrei de outro carrossel bem lindo, no parque Rodô, em Montevidéo. Mas voltando à esse carrossel que está nas fotos; naquele cenário tão lúdico que me remeteu aos pensamentos mais saudosos, que tipo de projeto haveria, senão um cálculo perfeito de engenharia, aliado a um design de bom gosto? Teria sido ele criado para entreter crianças, ou para fisgar de um adulto o brilho em seu olhar? Ambos, pensei!

Num dia em que o tempo era todinho meu, pedi uma casquinha de sorvete italiano (misto) e sentei defronte o carrossel, observando atentamente o giro lento e o entra e sai da criançada (enquanto os pais fotografavam sorridentes durante a espera). Não lembro de quantos e quantos giros acompanhei até conseguir guardar essa imagem, do carrosel "todinho meu", mas aqui está a foto!
Então faço o convite, que tal um exercício inverso às imagens finais? Se tivéssemos o hábito dessa reflexão nas imagens mais casuais do dia a dia, certamente nosso coração seria mais doce. Quem imagina o trabalho de um artesão (sim, esse é verdadeiramente um trabalho artesanal), que imaginou, rabiscou, e esculpiu, lasca por lasca um grande bloco de madeira, certo de que dali nasceria um cavalo? Melhor do que isso, não apenas um cavalo, mas sim uma das peças principais do imaginário infantil, o astro principal de um carrossel!
Sabe-se lá quantos dias foram empregados nesse projeto; quanta paciência e energia foram dispensadas, quantos minutos, quantas bolhas nas mãos, quantas dificuldades. Não seria muito mais cômodo olharmos o cavalo a rodar sem pressa no carrossel, sem nos questionarmos esses detalhes?
A partir de um determinado momento, por algum motivo, um bloco de madeira, totalmente inerte, foi ganhando forma, e consequentemente, vida. De repente, quando tudo já parece belo, chegam as cores... ah, as cores sempre nos alegram!
Talvez esse tenha sido o momento mais "artista" do artesão (me questiono, será que ele pôde brincar com as cores a seu critério, ou seguiu algum projeto inicial que não poderia ser alterado? - prefiro pensar na primeira hipótese, a da pintura a seu livre arbítrio e sentimento).
Teria alguma mistura de cores não combinado entre si, de forma a fazê-lo novamente cobrir a peça de branco para uma nova tentativa? Quantos mais detalhes ocorreram nesse processo criativo? Quantas pessoas depositaram ali seu trabalho? Aonde teriam trabalhado;em conjunto, separadamente, num lugar amplo ou num pequeno ateliê?
Essa variação de "quantos, como, onde, de que forma", e o que mais nossa imaginação permitir, não nos serão respondidas; os detalhes desse projeto certamente serão exclusivos de quem idealizou e executou esse carrossel. Cabe à nós imaginá-los, cada um de sua forma, intensidade ou vontade. Particulamente, visualizei pessoas executando um trabalho extremamente prazeiroso, o da criação, para posterior encantamento alheio. Se foi esse o desejo de quem cuidou do projeto, posso afirmar, ele teve êxito!
(será que sorrisos escaparam involuntariamente de suas faces, enquanto desenvolviam esse trabalho?)
Naquele parque voltei durante sete dias, e por alguns minutos sentei para namorar mais algum pedacinho que me escapara anteriormente. Trarei na lembrança, e com carinho divido aqui!
Nos primeiros dias de setembro, acontecerá em Gramado o
Festival Brasileiro de Quilt e Patchwork. Essa será minha terceira participação no evento, e acho importante dividir
pedacinhos do projeto lugastal, trabalhado especial e modestamente para encantar quem por lá passar. Impossível não comparar ao carrossel, pois coloco em cada um de meus projetos (mesmo que temporários), todo o meu amor e dedicação! O festival iniciará dia 7, e falaremos mais sobre ele por aqui!