Quando o final de 2010 se aproximava, o trânsito em Porto Alegre foi piorando a cada dia e estava implícito que a loucura pré festas já pairava pelo ar. A partir dali, me condicionei a não viver um fim de ano infernal, daqueles que tentamos resolver em 3 semanas tudo o que ficou pendente o ano todo; tentei deixar o carro na garagem sempre que possível, e não fiz aquela interminável listinha de pendências para serem resolvidas antes da virada - tirando as tradicionais apresentações e homenagens da escola, ballet, música, inglês, etc... nas quais tive 100% de presença, e enquanto minhas filhas curtirem qualquer programa desse estilo, eu lá estarei aplaudindo e torcendo, afinal, sou mãe coruja!
Tive o privilégio de um super apoio "familiar", e enquanto trabalhava e produzia as últimas peças prá loja, Didi e o marido tomaram conta de todos os preparativos que garantissem um delicioso feriado natalino. Mas, como há muito tempo não acontecia, não me preocupei em esperar Papai Noel com unhas perfeitas e mechas retocadas... longe disso, esse ano foi o mais rústico de todos em termos de cuidados pessoais! Não houve também preocupação com aeroporto, atraso de vôo, e meu lar estava há poucas quadras de distância. Simplesmente resolvi não me cobrar!!!!
Já na praia, curtindo os dias de pausa aos quais me propus, no maior estilo farofa/guarda-sol/cadeira/chimarrão que eu adoro, me presenteei com outro mimo - despertador desligado. O resultado não foi dos mais positivos: as meninas perderam o horário das aulas de surf (que há mais de 6 anos fazem parte da rotina no veraneio); pegamos praia mais tarde, e o filtro solar foi insuficiente para tamanha emoção. Mas nada que um hipoglós e um AS infantil não tenha resolvido. Ainda não fiz minhas corridas na praia de manhã cedo, e sigo meus dias-sem-horário, sem culpa e bem feliz!
Não sou a pessoa mais animada com virada de ano. Gosto de chegar na praia, pulo as ondinhas, vejo os fogos, brindo à saúde, ao ano que passou... tudo isso como uma pessoa normal, sem grandes emoções ou expectativas. Assim, enquanto toda turma se preparava para a ceia do reveillón, meu estômago avisou que algo não estava bem, confirmando que o traje da noite seria branco - um pijaminha velho e bom de usar! Se eu não fosse uma mulher precavida e na idade que estou, poderia desconfiar de uma possível gravidez, mas essa hipótese estava totalmente afastada. Assim, nada além do que ficar na cama, esperando o mau estar passar. A meia-noite chegou, e eu, sem forças prá dar boas vindas ao ano, fiquei quietinha, sem me mexer... e sem me culpar! Confesso, foi bem bom! A grande família curtiu, se divertiu, riu e a festa rolou até de manhã, quando me animei a levantar prá dar uma espiada e ver quem ainda encontraria acordado àquela hora, em que a chuva caí com muita energia. Assim, fraca e preguiçosa, da mesma forma com que levantei, tornei a deitar... e meu primeiro dia do ano foi de muito sono e recuperação, com direito à chá feito pela sogra, sopa do marido e mimos das crianças. Um dia perfeito, eu diria!
Hoje foi um domingo chuvoso, ideal para devorar as novidades do jornal (prá não precisar dividir, transfiro minha assinatura prá praia). Entre tantas informações, flashes e detalhes da festa em Brasília, a coluna da queridíssima
Martha Medeiros (que sequer conheço, mas por momentos me sinto extremamente próxima!!!!) falava justamente sobre o que tenho sentido: DEIXE-SE EM PAZ!
"Não se cobre por não ter realizado tudo o que pretendia, não se culpe por ter falhado em alguns momentos, não se torture por ter sido contraditório, não se puna por não ter sido perfeito. Vc fez o melhor que podia. ... Vá no seu ritmo, siga sendo quem é, não espere entrar numa cabine e sair de lá vestido de super-homem ou de super-mulher. Deixe de fantasias. Deixe-se em paz".
E assim estou, como 2011, novinha em folha, virose curada, e sem culpas. Retorno devagarinho ao trabalho e em alguns projetos do ano que chegou.
P.s: A loja será reaberta na próxima segunda-feira, dia 10, também com as energias renovadíssimas!
(Ilustro o post de hoje com esse panô muito bacana, exposto na última edição do Festival de Quilt e Patchwork de Gramado. Não é minha autoria, e infelizmente não identifiquei quem o costurou e quiltou, para deixar aqui os devidos créditos. De qualquer forma, esse foi, sem dúvida, meu preferido em todos os quesitos!)