sábado, 4 de junho de 2011

blond for 19 hours


Ouvi dizer que àquelas pessoas que mudam muito o cabelo chegarão aos 60 anos com cara de 80. Em caso afirmativo, tenho certeza que farei parte da lista, mas, sinceramente, não acredito! Talvez seja reflexo da impulsividade ariana (ou absolutamente nada a ver com isso); talvez seja pura inquietação; mas já mudei tantas vezes o estilo do cabelo que não poderia aqui listar.

Quando menina, minha mãe não deixava a gente ter cabelo comprido, acho que por comodidade ou praticidade. Eu e minhas irmãs parecíamos uns guris -  horror total. Mas o tempo passa (uhu!) e a gente vai criando gostos e preferências.  Digamos que meu cabelo nunca foi exemplar do tipo comercial de shampoo, nem liso, nem cacheado, nunca pude defini-lo - até pelas reiteradas e constantes mudanças! O que lembro é que pelos 13 anos pretendia tê-los longos, mas a espera sempre era vencida. Debutei no salão do clube Rio Branco, em Cachoeira do Sul, com cabelos curtíssimos (obviamente destoando de todas as demais meninas). Mas me senti bem assim, e não fui nem mais nem menos feliz por tê-los curtíssimos. Assim tentei deixá-lo crescer novamente (de novo, em vão); aos 17 anos, fui coroada rainha da Fenarroz (gente, abri o livro do passado!!!!), e lá eu estava de novo, a única das candidatas com cabelo curtíssimo. Não bastava ser curto, tinha de ser muito curto! 

Nos próximos anos, finalmente me permiti outras tentativas; tive cabelos longos, cacheados, e se mostrasse fotos ninguém acreditaria! Numa impulsiva crise de identidade, lá me fui novamente para o cabeleireiro, e tosá-los não seria suficiente, tonalizei em tom vermelho. Olhando para trás, um verdadeiro horror, mas eu me sentia bem faceira com as mudanças. Foi quando conheci meu marido, e ele pediu que eu deixasse o cabelo crescer, que achava bonito, blá blá blá... e é claro que atendi ao pedido - o que não se faz por amor? Em menos de dois anos, me vesti de noiva, e, pasmem vcs... eu tinha cabelo longo (rsrsrsrs... em compensação, nada de vestido tradicional, apenas uma saia reta e corselet em tafetá, com um longo véu). Meses depois, cortei o cabelão! 

Da mesma forma como cortava, deixava-o crescer com a maior facilidade. Recém mãe da Lulu, foi a última grande mudança de visual, cortei-os tão curtos que até admito - exagerei! Tive uma terapeuta que, embora tivesse 40 anos a mais do que eu, me ganhava no quesito modernidade - porém, sempre me questionava o por quê ousar tanto no comprimento do cabelo.

Pois foi em Brasília que usei cabelos longos por mais tempo da minha vida. Deixei crescer e aprendi a cuidá-lo como mereciam. Agora... confesso que cuidar de madeixas não é meu forte, e Deus não me deu o melhor cabelo do mundo. Somado às mechas e outras cositas mais que eu ia experimentando (e viva a escova progressiva - atire a primeira pedra quem nunca fez!), talvez com a inovação da cosmética consegui me manter com cabelão por mais tempo. Então, há uns dois anos atrás, resolvi dar um up no visual, cortei  num estilo "mais ou menos", detestei, é claro, e em menos de 24 lá estava eu na cadeira de outro cabeleireiro (sim, porque às vezes pedia para a minha radicalizar, e ela se negava, então eu partia para uma ...digamos, segunda opinião!!!!). Mas nessa vez não cortei-os tão curtos, era um "curto comprido", que mantive por bastante tempo.

Depois de vários anos sem cometer ousadias capilares, em 2011 voltei a usar visual "cabelinho". Cortei curto, gostei mais ou menos. Menos de 24 horas depois, voltei no salão e cortei mais (dessa vez curti!), mas não era o suficiente, afinal, eu nunca havia usado uma TINTURA! Devido ao avanço do tempo, alguns fios brancos já insistem em se instalar no couro cabeludo, mas isso faz parte da vida, do crescimento, e da maturidade (risos... ai... a tal maturidade!!!). Ao invés de seguir a risca o procedimento que sempre fiz e gostei - umas mechas claras no cabelo castanho claro (ou seria loiro escuro??), pedi à Clarisse, minha vizinha e cabeleireira cheia de estilo, que o descolorisse, afinal, eu ainda não havia sido blond nessa vida! Como das tantas outras vezes em que radicalizei, não senti a menor angústia durante o, digamos assim, processo de mudança. Mas dessa vez tive aquele nítido sentimento "o que é que eu fiz comigo mesma" quando me vi no espelho. So late...não poderia me permitir mais nem 10 minutos num salão de beleza (olhem que nome sugestivo!!!). Quando cheguei na loja, as gurias olharam e rolou aquele silêncio. Mais tarde, em casa, ídem. Laurinha até ousou um comentário do tipo "ai mãe, que ousado... eu gostei!!!!", mas sei que não foi sincero no fundo de seu coraçãozinho teenager! Lulu,  totalmente antenada no que tange à visual, se limitou ao silêncio. O marido, chegando de viagem, talvez tenha se compadecido com o que viu; mas em momento algum transpareceu o que sentiu! À essa altura (digo, idade) da vida, não posso pensar que uma mudança tão radical seria bem vinda! (definitivamente, o estilo blond girl é indicado para atrizes e modelos, não para mulheres comuns).

Ainda bem que sou brasileira e não desisto nunca!  Passadas 19 horas, lá estava de volta ao salão, e a Clarisse já me recebeu sorrindo (ela sabia que eu voltaria em breve - muito breve!). Discutimos rapidamente algumas estratégias, e, graças à santinha-das-mulheres-que-mexem-no-cabelo-sem- pensar, tudo se resolveu em pouco mais de 60 minutos! Respirei fundo, sorrindo por dentro! Da experiência ficou a promessa: os 40 anos não permitem mais tamanha ousadia visual, além do uso de muita máscara hidratante nas próximas semanas!



 "quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração... 
e quem irá dizer, que não existe razão"            legião urbana

20 comentários:

Marion disse...

Olá, Lu! Na hora exata em que estavas no salão (era o comentário - bondoso - por lá), fui conhecer tua loja... e o que quero falar não é sobre o cabelo (até pq não vi e nem te conheço - mas adorei a história!!!), mas queria dizer que ameeeeei a loja. Já trouxe alguns lindos tecidos... fazia horas que queria passar lá! Hoje até quis passar no bazar, mas não foi possível! Parabéns pela loja e por todos empreendimentos! Boa semana!

mArCeLe disse...

Ahhhh mostra esse carão loiraça belzebu!!! =P

Pontos com Arte disse...

Hahahaha
E eu que pensava ser a única a mudar os cabelos como mudava de roupa( palavras de minha filha)!!!!
Mas, agora aos 50, resolvi sossegar e assumir um só lado de minha personalidade capilar...será?!?!?!!
Em breve saberemos...
Bjs
Cecilia

Jaqueline Köhn disse...

Oi LÚ

Sabe, eu aprendi que quando estamos em crise interna, a primeira coisa que fazemos é mexer no cabelo.
Cortar os cabelos demais significa, cortar os pensamentos.
Houve um tempo em que eu mexia demais também e hj, numa fase madura (40), acho que sosseguei, para sorte dos meus cabelinhos, pq nessas inquietações costumamos fazer verdadeiros horrores com os coitadinhos...rs

Um grande beijo!

Jaqueline Köhn disse...

Oi LÚ

Sabe, eu aprendi que quando estamos em crise interna, a primeira coisa que fazemos é mexer no cabelo.
Cortar os cabelos demais significa, cortar os pensamentos.
Houve um tempo em que eu mexia demais também e hj, numa fase madura (40), acho que sosseguei, para sorte dos meus cabelinhos, pq nessas inquietações costumamos fazer verdadeiros horrores com os coitadinhos...rs

Um grande beijo!

Jaqueline Köhn disse...

Oi LÚ

Sabe, eu aprendi que quando estamos em crise interna, a primeira coisa que fazemos é mexer no cabelo.
Cortar os cabelos demais significa, cortar os pensamentos.
Houve um tempo em que eu mexia demais também e hj, numa fase madura (40), acho que sosseguei, para sorte dos meus cabelinhos, pq nessas inquietações costumamos fazer verdadeiros horrores com os coitadinhos...rs

Um grande beijo!

Arte da Luluzinha disse...

Oi Lú, adorei o texto é algo bem parecido com o que já vivi, quando criança também tinha cabelo curto, pois minha irmã mais velha dizia que eu chorava muito para pentea-los, depois tive médio, mas a maior parte da minha vida foram curtos, bem curtos! Até fiquei com vontade de rever minhas fotos antigas,que nostalgia! Hoje tenho o cabelo mais comprido (também à pedido do marido) mas já estou ansiosa de corta-lo, acho que será em breve. E quanto a cor, já tentei clarear, mas me vejo muito melhor sendo morena. Ainda bem que podemos mudar , mudar e mudar!
Beijinhos e tudo de bom sempre.
Saudades
Ana

tezukuri da Karen disse...

adorei seu post!sigo seu blog por adorar artesanato, e sou estagiária de uma escola de cabeleireiros e vc colocou em letras o sentimento de muitas clientes que chegam sem consegir falar segurando o choro. Tento entender, hj uso um curtíssimo e no ano passado colori de verde(amadureceu ,hj cor natural), não tenho 20 e sim 38 (quase 40), acho que preciso rever meus conceitos! rs! beijos

lugastal disse...

marion, que pena que não estava lá prá te receber! mas volte outras vezes, please... marcele, o que pude mostrar tá na foto, porque já dei jeito na situação!rsrsrsrs
cecilia e káren, não somosas únicas, não! aliás, acho que é uma inquietaçãofeminina!e viva o avanço da cosmética!
jaqueline, o problema é que não estou em crise! rsrsrsr... e adoro cortar o cabelo curtíssimo, ele não "rouba" meus pensamentos, pelo contrário, me dá uma alegria enorme!

Valquiria Lima disse...

Bom dia Lu,adorei o post,sou um camaleão dos cabelos,rs,eram o que me diziam na adolescencia,comecei a mudar os cabelos com 13 anos,eu estudava no colégio da policia militar,tinha uma prof de ed fisica meio maluca,ela era surfista,rs,eu adorava suas mechas,então eu e algumas amigas começamos a passar agua oxigenada nas aulas de ed fisica,porque ficávamos no sol,rs,e aos poucos o cabelo ficava amarelado,era muito divertido,rs
E aí começou,tingi de quase todas as cores desde o blond, verm até o preto,no carnaval era colorido,rosa,roxo,verde,uma doidera,corte (todos os estilos)mas amo o curto.Hoje com 39 anos estou mas comportada,mas sempre mudando,meu cabelereiro diz que eu sou sua melhor cliente,que topa tudo,sem frescuras,gente o cabelo cresce,não tenha medo de mudar...
Beijos e uma ótima semana,Val.

Cecilia e Helena disse...

Lu, fiquei tão curiosa em relação às mudanças que esperava um post cheio de fotos retiradas do baú. Cadê a foto a faixa de rainha da Fenarroz? :)))))
(e eu que já te achava loira...)
Beijos,
Helena

Marta Basteiro disse...

Lu, tô rindo aqui e pensando, todas já tivemos o momento blonder por alguns minutos...o meu durou minutos até o cabelo secar completamente e então....tu já sabes o final!!!
Mas com certeza ficastes linda blonder também!Dizem que é apenas uma questão da gente se acostumar,rsrrsrs
bjossssssssss

bela silveira disse...

Lu querida, adoro essas tua maneira alto astral de contar as tuas, digamos peripércias... fico aqui imaginando cada situação... Não sou exatamente tão corajosa para essas aventuras; tenho várias amigas que ousam nesta modalidade e, sempre me encanto com o resultado. Varias vezes já pensei em colocar, pelo menos algumas mechas vermelhas, mas onde está a tal coragem... Um dia pintei a unha de vermelho, que não gosto muito, em mim, mas por insistência da manicure para variar um pouco. Cheguei em casa e meu filho mais novo me disse: pô mãe, esta mão não é tua... imagina eu de cabelo vermelho kkkkkkk
É garota, coração... razão... vai saber...
Bjo, de coração!!!

Lorene Portugal disse...

Você é tão linda, que tenho a certeza, fica lindo com qualquer cabelo...É como o Gianechini, fica bonito até feio!

Márcia Lima Palamim disse...

Ahhaahaahhah!!! Minha querida Lu, mais um de seus post deliciosos de ser lido. Essa odisséia capilar ficou muito divertida. Fiquei imaginando sua carinha com cada uma das descrições apresentadas. Acabei me divertindo tentando imaginar cada uma, hehehe. Eu sou exatamente o contrário de você. Meu estilo de cabelos muito pouco se alterou ao longo dos anos. A maior parte do tempo os mantenho longos. Brinco que leão tem que ter juba, senão deprime. apenas fui obrigada a me render às tintas para cobrir os brancos e só. Estou curiosa para saber como está agora... Beijos e bom domingão pra ti.

Lia disse...

Lu, querida, tu és mesmo das minhas... rs***
Ó, pra salvar as melenas das nossas artes, procura o tal Moroccan Oil.
Estou usando e realmente faz milagres de hidratação!!
Beijocas, vc é sempre lindona!!
Lia

rachel disse...

oi Lu,
Tenho 28 anos e aos 7,8,9,10... achava tão esquisito minha mãe mudar de cabelo a toda hora!!! Pensava pra quê isso, mãe? Porquê tanta mudança, tantas cores diferentes em um espaço de tempo tão curto???
Hoje, aos 28 sou a Rita (mamy) de alguns anos atras. Amooo mudar o cabelo já que não posso mudar a vida na mesma rapidez.
E assim sou feliz!!! Claro, que todo dia me olho no espelho e percebo que peguei pesado com minha mãe!!!

beijosss
E feliz cabelo novo!!

Dri Morango disse...

Lu,
Pode até ter ficado "estranho", muito ousado ou "diferente", mas feio jamais. Nem que vc tentasse não conseguiria ficar feia.
Mas o importante é se sentir bem e, que bom, que você está se sentindo bem agora.
Boas hidratações. rs
bjks

Patrícia Viale disse...

Lu, além dos nossos All Star, nossas histórias de cabelo também se confundem!!! beijão

Andréa Bernardo disse...

Oi Lu querida.. como eu não sabia como era antes e o que vi lá em São Roque,é seu novo visual,eu adorei... vc ficou linda !!! beijocas