quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Despedida


Neste exato momento, um pensamento remeteu-me à infância e lembrei do velho início de "post": "querido diário"!!!!! Ah, bons tempos aqueles!!!!


"Querido diário:
Hoje cumpri uma das tarefas difíceis da minha vida adulta: apagar as luzes da casa. Normalmente, quando a família viaja, eu sempre vou por último; logo, a ingrata incumbência de fechar a casa e deixar tudo apagado sempre sobra prá mim. Mas hoje, especialmente, o ato de apagar doeu bastante.
DETESTO despedidas, por isso tento encarar essa mudança para o querido Rio Grande de forma leve e gostosa. Mas nem sempre é possível se enganar, e embora eu esteja radiante com as novidades da nova vida na capital gaúcha, deixar Brasília me corta o coração.
Aqui cheguei há exatos 7 anos. Sem conhecer absolutamente ninguém, desembarquei em janeiro de 2003, de mala e cuia, prá começar a vida no planalto central. Os primeiros dias foram duros (risos...); acostumada à vida de cidade pequena, o que mais estranhei foi passar despercebida na rua, sem um "bom dia" ou um papo despretencioso daqueles encontros meteóricos de calçada! Comprei um mapa na revistaria e fui "estudar" a cidade, entender a lógica do avião, asa norte, asa sul, lagos e por aí vai! As tesourinhas ... ah, isso só entende quem mora aqui! Depois de uns 3 dias dirigindo sem parar, e escutando algumas piadinhas do tipo "barbaridade, tchê!", gentilmente gritadas por motoristas que viam na placa do meu carro que aquela desavisada motorista provinha do sul do brasil.
Aqui tudo era novo: o sotaque, as fisionomias, a resposta "tem não", ao invés de "não tem", a escola das crianças, relacionamentos, trabalho. Mas como tudo na vida, fui me ajeitando e gostando demais da cidade que me acolheu. Num piscar de olhos!
Essa semana, afundada num poço de nostalgia, revi fotos, relembrei momentos, ri sozinha e chorei sozinha também. Como a gente cresce, e as coisas acontecem sem sequer notarmos! Prova disso é quando vemos fotos dos filhos; parece que o passar do tempo só é visível nas crianças, que crescem num piscar de olhos. Às vezes sequer percebemos que o tempo passa prá gente, que o corpo pede cuidados e a mente ídem.

Mas ontem a equipe da mudança, após um pedido encarecido de quem os acompanhava - eu, deixou minha cama e a luz de cabeceira, com o despertador prá não perder a hora de finalizar o "encaixota-tudo-o-que-tem-pela-frente"! O eco já habitava nosso lar, enquanto essa foi minha noite de despedida, em silêncio.
Um momento prá pensar em quantas coisas boas deixo aqui: experiências (positivas, e, é claro , negativas, que fazem a gente melhorar sempre), momentos, pessoas. Sempre digo que o combustível dos relacionamentos é a reciprocidade, e em época de web, msn, e toda essa tecnologia que bate à nossa porta, só se deixa esquecido quem realmente não vale a pena.
Hoje mesmo recebi um telefonema de uma amiga do sul, que não vejo há tempos, mas soube que estou voltando, e isso fortalece minha teoria de que mantemos aquilo que cultivamos. (por falar em telefonemas, essa semana em especial me sinto muiiiito querida;).

Bem, é hora de partir! Apaguei as luzes da casa, e num momento super sofrido levei meu cão amigo para o lar de uma amiga que mora lá... "no Goiás" (como dizem os candangos), com a certeza de que estará mais feliz com a nova família do que num apartamento, porque labrador respira liberdade.

As pessoas jamais serão apagadas; levarei no coração todas aquelas que me são especiais!
E prá que sofrer se existem promoções aéreas a toda hora...
p.s: em meados de março devo estar aqui, trazendo as novidades da Páscoa Lu Gastal para Casa Quilt!