domingo, 25 de julho de 2010

     Em meados desse ano, depois de uma reviravolta na vida pessoal/familiar, me deparei com a pergunta que assoprava meus ouvidos há muito tempo: "onde chegar", ou "o que ser quando crescer". O retorno ao sul ainda era recente; não havia me habituado ao trânsito, e anotava sem parar números em placas de rua, com  telefones de lugares bacanas ou úteis numa agendinha, prá que pudessem me ser úteis num momento futuro. Crianças na nova escola, marido no novo trabalho, família com o lar organizado. Aos poucos, a rotina porto alegrense se firmava em nossa vida.

     Sempre acho que em momentos de reflexão o melhor que tenho a fazer é caminhar... ou correr! Estava em boa forma física e a corrida fazia parte dos meus dias (ultimamente, a preguiça tem me dominado!!!). E foi isso que fiz, ao chegar minha hora de adaptação na capital gaúcha! Assim, fui conhecendo aos poucos as ruas da redondeza, o bairro em que moro, e que, por muitas vezes, me remete às cidades do interior em que vivi quando era criança (Cachoeira e Santa Cruz). O acesso às calçadas inicialmente me fascinou, e ainda me vejo feliz ao me deslocar "a pé" de um lugar a outro, para simples tarefas do dia-a-dia, como ir à padaria, ao banco, ou simplemente caminhar sem rumo. Essa era uma atividade rara em Brasília, onde as distâncias são extensas e as calçadas escassas.  Mas não vou me perder o assunto, acabei linkando esse post ao ato de caminhar, quando, na verdade, quero falar sobre aonde chegar!


     Naquele meu momento "estou perdida e não sei prá que lado correr", me vi procurando anúncios em classificados, para cargos jurídicos em empresas ou escritórios de advocacia, quando meu desejo era, verdadeiramente, o de empreender, e solidificar minha marca, que nasceu ao longo dos últimos anos, despretenciosamente. Aquele foi o momento em que me senti parada numa esquina; momento de escolher prá qual lado obrar.
    Meu marido, talvez aflito com minhas lamúrias diárias, finalmente sacudiu meu pensamento, sinalizando que aquele era o momento de pensar em minha marca pessoal: ou ela seria trabalhada, ou ela acabaria. No início, relutei um pouco nessa conversa, mas visualizava que meu trabalho assumira, há algum tempo, uma "identidade". Algumas pessoas com quem convivo também insistiam na ideia de que eu deveria empreender e seguir um caminho diferente, mas a coragem era sempre insuficiente.
     Nos últimos anos, mesmo desenvolvendo trabalhos jurídicos, sempre que podia participava de cursos e treinamentos nessa área do empreendedorismo. Do conhecidíssimo empretec (sebrae), a outros também práticos e sempre úteis. Mas a coragem de dobrar a esquina sempre era insuficiente(até acho que insegurança é uma palavra que combina com esse post, mas ela não pode dominar a vida da gente).
     Voltando dois parágrafos acima... no dia seguinte o marido me presenteou com o  livro Personal Branding, do gaúcho Arthur Bender. Confesso que nada entendi do título, mas a  capa  era sugestiva: vários guarda-chuvas pretos, e apenas um amarelo. Era exatamente isso que eu buscava, a coragem em tentar deixar meu guarda-chuva colorido.
              
     De início, a leitura me segurou profundamente, e logo fez alusão à uma passagem do livro Alice no País das Maravilhas, de Levis Carrol (que, por sinal, eu tinha ganho de presente no natal passado, da minha filha Laurinha).
"— Gato Cherise – começou Alice, timidamente – poderia me dizer, por favor, que caminho eu devo seguir para sair daqui?
Isso vai depender muito de onde você quer chegar – respondeu o gato.
Não me importa muito onde... – disse Alice.
Então, não importa que caminho você tome – respondeu o gato."

     Naquele momento, como eu não sabia para onde estava indo, possivelmente minha satisfação profissional dependeria de sorte ou acaso. Só que isso  não era suficiente!
    Nos próximos dias, carreguei meu livro na bolsa, pois cada minuto livre era o momento ideal para devorar algumas páginas. Era a semana em que a saúde de minha avó tinha piorado, e lá me vi, no pequeno quarto do hospital, ao seu lado, escutando o silêncio, aproveitando nossos últimos momentos, e de mãos dadas com aquela pessoa tão querida, tentando ferozmente finalizar minha leitura. A cena até ficou divertida, pois a cada vez que minha irmã, que dividia aquele momento comigo, saía do hospital, falava "agora vê se termina esse livro!"... mas sempre chegava uma visita e eu não finalizava. Entre algumas orações e canções que ainda pude dedicar à minha querida Norminha, no final daquela sexta-feira finalmente acabei a leitura. Satisfeita, reflexiva, inquieta. Eu sabia que, quando aquele momento de despedida acabasse, seria a hora de escolher prá qual lado da esquina dobrar.
   Norminha partiu no sábado, e quatro dias depois eu voltava a Porto Alegre, para retomar a reforma da loja, que seria inaugurada em poucas semanas. Com o coração partido, porém com reflexões positivas, depois daqueles dias de imersão no silêncio e  na leitura. Já havia olhado para todos os lados, então aquela era a hora de escolher o caminho!

   A partir de hoje, escreverei uma vez por semana sobre as experiências e dificuldades dessa nova trajetória. Várias pessoas escrevem e-mails pedindo que divida informações sobre o dia-a-dia do trabalho, administração do negócio em geral (talvez por saberem que minha formação é noutra área), e essa ideia também partiu do meu marido (aliás, um dia escreverei sobre "o marido", pois ele já comentou que já escrevi sobre amigos, sobre a obra da loja, sobre a loja, produção, filhos, blá blá blá, mas nunca escrevi sobre ele!!!!).
    Não serão posts para explicar onde encontro o fornecedor X ou Y, ou de que forma são produzidas as peças; os temas versarão sobre as buscas, os erros, acertos e um pouquinho dessa experiência de cuidar da minha marca pessoal.


   E por falar em Alice no País das Maravilhas, amanhã será o dia de contar um pouquinho da minha viagem a Brasília, nos últimos dois dias, quando comemoramos o primeiro ano da Casa Quilt.

23 comentários:

Tricia disse...

Nossa, é sempre bom passar por aqui e ouvir suas histórias. Adorei o primeiro capítulo, já estou curiosa pelos próximos. Beijocas e obrigada pelo seu carinho e pela força. Tricia

Tati Alberti disse...

Obrigada...
Por compartilhar, dividir, ensinar, doar-se.
Nesse mundo, nessa vida, poucas pessoas são como você. Devemos tê-la como exemplo de amadurecimento, profissionalismo.
Estou sempre lhe acompanhando e torcendo por seu sucesso.
Obrigada.
Parabéns por tanto caráter.
Beijos

Tati Alberti disse...

Ah!, dividirei essas informações no Twitter, neste momento.
Beijos

anuska disse...

belo post!!!!
parabéns....
ah....eu quero apostilas das frutas e legumes, please!!!!!!!
beijos

Rosana Sperotto disse...

O texto caiu como uma luva nesse domingo de "imersão" num capítulo que termina. Obrigada, Lu, pela grande dose de doação que, acredito, é ingrediente fundamental em qualquer caminho, e onde está muito do teu diferencial. Beijos

Vanessa Maurer disse...

Lindo post... senti muito sentimento e verdades nele... tu tomou o rumo certo amiga... acredite nisso! Bjs

Hyasmine disse...

Então que comece: Lu no país das Maravilhas!
Beijos!!!

bela silveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
bela silveira disse...

Lu, há alguns dias, numa das minhas andança pela net,não lembro exatamente como cheguei lá, mas acessei o blog desse fantástico especialista em estratégia, li varias entrevistas, fiquei encantada... Programei comprar o livro para meu filho que abria sua empresa,jovem e sem muita experiência em empreendedorismo,como uma leitura que poderia fazer a diferença e ajudá-lo a se situar melhor neste mundo hiper competitivo. Quando fazemos o que gostamos, e fazemos bem, com prazer, e focados no que queremos,certamente construiremos condições para sermos profissionas realizados. Te vejo com os dois pés nesse caminho... boa sorte, sempre!!! bjo

Arte da Luluzinha disse...

Oi Lu, ontem fiz aniversário e parece que nos dias que antecedem passamos por um enorme questionamento interior e ao ler o seu post me vi nele...que caminho tomar? O bom é quando temos ao nosso lado pessoas que nos amam muito e que nos dão força,incentivo e o carinho de querer caminhar ao nosso lado.Talvez não muito distante eu também tenha um post com o caminho já escolhido, espero que seja breve!
Beijinhos e confiança sempre!

Vera Ferraz disse...

Acredito que todas nós temos (ou tivemos) essa dúvida de qual caminho tomar, obrigada por compartilhar suas experiências, com certeza ajudarão muito! Muito sucesso! Bjs

Aprendi com Mamãe disse...

Sabe estou num dilema parecido...
Não sei que camino seguir, as dúvidas são muitas, só de uma coisa sei... gosto muito de artesanato está no meu sangue é de família... mas será que posso me entregar a isso...
Bjus gostei muito de vc, é uma pessoa encantadora...

Eliana disse...

Oi, Lu!
No sábado, naquele lindo encontro na Casa Quilt, em Brasília, você me perguntou sobre como eu andava, o que estava fazendo. Respondi que andava meio perdida, sem saber ao certo o que nem como fazer.
Seu post respondeu maravilhosamente à sua pergunta dirigida a mim. É exatamente assim que me via até agora. Mas com a ajuda de seu exemplo sei pelo menos como começar a acessar roteiro de minha vida.
Obrigada! De coração.
bj grande e muito sucesso!
Eliana.

Luciana Casado disse...

Adoro ler as tuas histórias, Lu!
Me vi totalmente absorta lendo esse texto, sei que vou adorar os próximos!!
Bjus, Lu

Artes da Fran disse...

Oi lú como vai?

Obrigada por compartilhar suas idéias e me vejo na mesma situação... montei uma cooperativa e anda em uma situação difícil, tenho o meu blog, trabalho com feltro e bordo almofadas e coisas de bebê... só que acho que não dá mais.. estou relutando em abandonar mais não tem jeito.. tenho que escolher novos caminhos.. Adoro o seu blog e já recebi uns cartões postais seus de brasília de uma troquinha no flickr, guardo-os com o mais carinho...
Beijos e fica com Deus!!!
francisca

Ana Paula Cavalari disse...

Lu, não sei se você consegue vislumbrar a importância, a generosidade, o acolhimento e a ternura das palavras do seu post. Sei exatamente o que passou no seu coração e que trago em mim por alguns anos... minha esquina também chegou, mas só posso caminhar lemtamente, no momento. A palavra que gostaria que guardasse de mim: Obrigada!

Raquel Daroda disse...

Lu, adorei conhecer tua loja!! É linda, encantadora...feliz como deve ser a vida!!
Vou voltar sempre!! Claro que sim!!
Desejo pra vcs todo sucesso desse mundo e que eu encontre vocês sempre com esse sorriso lindo no rosto!
Parabéns pela iniciativa e pela coragem e eu tenho certeza que só terás alegrias como retorno!!
Um abraço pra vcs e até breve :)
Raquel

Danny Barros | Borbolet's© disse...

Oi Lu...
Este dilema me assombra profundamente ultimamente... a gente tem tantos caminhos, tantas jornadas tanto ainda a aprender...
Amei este post... sempre venho , nunca comento, é filho é tempo é trabalho... enfim!
Hoje este post tocou fundo...
E o trecho do livro foi crucial...
Vou tentar ler este livro... do guarda chuvas amarelo...kkkkk

Obrigada por compartilhar suas experiências.
Abraços
Danny

Claudia disse...

Lu, este seu post me caiu como uma luva, estou em um momento parecido com o seu. No final do ano passado, deixei um emprego onde ganhava bem e onde estava há oito anos, mas que nos últimos tempos, detestava! Resolvi deixar de ser jornalista, me inscrevi em um curso de design de interiores, já estou no segundo semestre e há cerca de um mês, abri minha lojinha virtual, mas agora quero mais, quero uma lojinha física fofinha e bacana como a sua, mas ao mesmo tempo em que quero muito, sinto um medo. E também estou sendo "empurrada" pelo marido.rs Acho que vou adorar seus próximos posts.

beijos

silvia ferreira disse...

Querida, serei leitora voraz, ou melhor, ainda mais voraz, visto que vc sabe das minhas últimas decisões, né?
Um grande beijo e foi maravilhoso poder abraçá-la ao vivo e à cores!rsrsrs

Bjsss

Pedaço de Amor disse...

me tocou também...
continuarei acompanhando de longe, mas de pertinho de alguma forma!
um beijo
Elô

MÁRCIA MARINHO disse...

Teus pensamentos, experiências e garra me prendem nessa deliciosa leitura.
Muito bom Lú. Ter dobrado a esquina naquele momento na verdade deixou a insegurança pra trás.
Beijos, Marcinha

Monice Terra disse...

Tuas dúvidas são as mesmas de muita gente, empreender exige muito esforço, pois todos os dias encontramos desafios, sem contar naquela constante pergunta q perturba nossas mentes será que estou na caminho certo? Bom se quiseres algumas dicas o SEBRAE tem ótimas e também tem uns facicúlos sobre empreendimento que eles enviam gratuitamente para micro empresas cadastradas. Eu os tenho aqui na loja são muito bons.
Sucesso!