quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

filhos






















A gente cuida, zela, reza, olha, respira eles o tempo todo. São minha prioridade. Essa história de férias em casa de avó é boa prá criança, mas dói prá quem espera as férias acabarem. Porque demora muito! Eles saem totalmente da rotina, então o tempo passa sem sentirem. Quero minhas filhas de vooooolta!
Quero o barulho, a casa bagunçada, as briguinhas e reclamações. Quero meus beijos, meus abraços, os questionamentos, ler uma historinha antes de dormir, quero o retorno da normalidade na casa.Um momento de descanso, sem filhos, é muito bom. Mas a saudade é maior. Outro dia vi um adesivo num carro: "quer uma vida selvagem? tenha filhos!". No momento ri sozinha porque a frase é totalmente real. E que realidade deliciosa.
Esse sentimento só entende quem tem!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Sem medo de perder

Final de ano significa descanso na praia, e praia prá gaúcho tem que ter farofa, jornal zero-hora e chimarrão.
Por isso, transcrevo hoje a coluna da gaúcha tudo-de-bom Martha Medeiros, publicada na zero de ontem:

"Chega o final do ano e a gente se projeta pro futuro de uma forma um pouco vacilante: por um lado, nosso espírito está voltado para a renovação, para investir em planos inéditos, combater nossas carências. E como se pudéssemos, de um dia para o outro, zerar o que foi vivido e nascer de novo.
Por outro lado, temos dificuldade em dar essa zerada, porque isso significaria abrir mão de algumas coisas, libertar-se do que não está dando certo, e o desapego não é uma prática corriqueira entre nós. O ideal seria que o ano novo nos recebesse de portas escancaradas para que passássemos com toda nossa bagagem. Porém, a porta não é tão escancarada assim. Não dá prá trazer tudo com você. Principalmente se você está tão repleto de desejos novos. Para que possamos receber o novo, é preciso deixar prá trás desejos antigos, sonhos frustrados. é preciso estar disposto a perder.
Foi lendo uma crônica do psicanalista Contardo Calligaris, de dezembro de 2005, me deu o estalo: como é que eu vou abrir espaço para nosos acontecimentos e emoções na minha vida se não consigo me despedir do que acumulei no passado?
Adeus ano velho. Foi ótimo, foi péssimo, foi fácil, foi difícil, me dei bem, me machuquei, tem de tudo. As emoções boas naturalmente irão se acomodar na minha mochila e vir comigo, e o que foi ruim pode ser transformado em aprendizado e vir também, mas alguma coisa terá que ficar pelo caminho. é como doar as roupas que já não usamos para poder liberar as gavetas.
Vale prá todos os setores da vida. Algumas pessoas desejam uma nova perpectiva profissional, mas em vez de dar um basta para o trabalho que já não serve, relutam em dispensá-lo e os prognósticos de novidade não se cumprem. Há os que querem parar de fumar, parar de engordar, parar de beber, mas prá isso terão que abrir mão de algo difícil em abandonar: o imenso prazer que certos maus hábitos proporcionam.
E tem as relações afetivas e amorosas que já não correspondem ao esperado. Você não vê mais graça em brigar, não quer se acostumar com a dor, com as agressões que o coração sofre, ms como deixar o ringue depois de tudo o que foi investido, de tanto sentimento que não foi inventado, mas que existiu de fato? Pra responder essa questão e deixar como mensagem de fim de ano, volto a Calligaris, que encerrou aquela sua crônica de 2005 com uma frase que serve para os finais de todos os dezembros de nossa vida:
"Meus votos para todos: um Ano Novo sem medo de perder".